Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam mostra que é mais do que um filme sobre criaturas mágicas, é a magia de volta para milhões de fãs, e da melhor forma possível.

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" (Reprodução/Warner Bros)
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” (Reprodução/Warner Bros)

Quando em 2011 chegava aos cinemas “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, pensava-se que estava chegando ao fim uma longa jornada por um universo bruxo acompanhada por milhões de pessoas. Muitos desses cresceram e tornaram-se adultos, mais ainda encantados pelo mundo criado por J. K. Rowling. A notícia de que Animais Fantásticos e Onde Habitam – uma pequena enciclopédia sobre a fauna do universo visto na saga “Harry Potter” – viraria não só um, mas uma série de cinco filmes animou os fãs, mas criou muitas expectativas. E elas foram quebradas agora que o primeiro filme chegou às telonas.

Animais Fantásticos e Onde Habitam começa mostrando que é muito mais do que uma saga sobre as criaturas fantásticas do título. As manchetes dos jornais em circulação pelo mundo revelam o grande vilão da vez – se em “Harry Potter” o cara mal era o Lord Voldemort, dessa vez quem vai aterrorizar o mundo bruxo é Gerardo Grindelwald, um cara aficionado pelas Relíquias da Morte e pasme – já foi muito próximo à Alvo Dumbledore. Feita a apresentação, a trama do longa se desenvolve sob a chegada de Newt Scamander (Eddie Redmayne) a Nova York dos anos 1920, recentemente abalada por uma criatura misteriosa que vem causando destruição.

Responsável pelo roteiro, J. K. Rowling precisou criar novos personagens para desenvolver a trama. É aí que entra Dan Fogler na pele de Jacob Kowalski, papel mais divertido do filme e como um no-maj (como os americanos chamam os trouxas ou não-bruxos), representa a visão do espectador, encantado com tudo a que está sendo apresentado. Após se esbarrarem, Newt e Jacob se unem para caçar as criaturas que fugiram da mala do mago britânico. Como roteirista, Rowling desempenha o papel fundamental de expandir nas telonas o universo criado em “Harry Potter”, algo que já vem fazendo online, através da plataforma Pottermore.

Em Animais Fantásticos e Onde Habitam somos apresentados a um mundo diferente, ainda que tenha suas familiaridades com o que já vimos antes. Cada personagem, a medida que surge na tela, desdobra esse universo expandido, nos apresentando às novidades. Newt nos mostra as novas criaturas fantásticas do mundo mágico, a ex-auror Tina (Katherine Waterston) é o fio condutor para o Congresso de Magia dos Estados Unidos e sua irmã Queenie (Alison Sudol) usa sua capacidade de ler mentes para levar à tona alguns segredos que sustentam fortes referências à primeira saga criada por Rowling. Juntas, Tina e Queenie são responsáveis por mostrar mais sobre como funciona a bruxaria nos EUA (com direito até a disputa entre as meninas e Newt sobre qual a melhor escola de bruxaria, a britânica Hogwarts ou a norte-americana Livermony).

A experiência única como a mente por trás de todo esse universo sobre bruxos e seu engajamento em causas sociais tornaram o roteiro de J. K. Rowling afiado, ligando momentos divertidos ou de aventura a uma trama mais intensa, com um lado mais sombrio que invoca o pior dos humanos como a rejeição, o medo e o preconceito. Ainda que isso some pontos e a torne multi-talentosa, pequenos deslizes de principiante acabaram passando e precisam ser corrigidos, a citar o didatismo – talvez proposital – do texto, fortemente apresentado na fala da presidente Seraphina Picquery (Carmen Ejogo), que repetia várias vezes que revelar a existência de bruxos entre os no-majs acarretaria uma guerra.

A direção de David Yates – que já traz na bagagem seu trabalho nos quatro últimos filmes da franquia “Harry Potter” – aliada a direção de arte, contribuiu para transpor às telonas toda a criatividade de J. K. Rowling na criação desse universo expandido. Ainda que Yates imponha um ritmo lento no início do filme, acaba conseguindo pegar o ritmo frenético em que Rowling desenvolve a trama. Outro ponto louvável que a dupla repete em “Animais Fantásticos…” e que já era comum aos filmes de Harry Potter é a não necessidade de encerrar o longa com um gancho para as sequências, algo visto na maioria dos blockbusters Hollywoodianos. Aqui, os ganchos e referências ficam nas entrelinhas e cabe ao espectador criar expectativas para o que está por vir.

Animais Fantásticos e Onde Habitam, repito, é mais do que um filme sobre criaturas mágicas. É um universo fictício que tornou-se parte da vida de milhões de fãs que passa a se expandir. É real, a magia está de volta e da melhor forma possível.

Por: Paulo Cavalcante

2 COMENTÁRIOS

  1. “pasme – já foi muito próximo à Alvo Dumbledore.”
    Vocês nem imaginam o quão próximo… rsrsrs

    Adorei a crítica amigo, parabéns!

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