Papo Seriado – Ep.02 – Roteiristas e Evolução

Na coluna de hoje, falaremos sobre aqueles que transformam a realidade diante dos nossos olhos, nos permitindo sentir coisas que sequer imaginávamos.

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Depois do Papo Seriado – Piloto, acho que não seria mais novidade se eu comentasse quesou viciada em seriados, certo? (Quase A Loka dos Seriados haha) Além disso, vocês também já sabem que faz um bom tempo que eles fazem parte do meu dia a dia. O curioso é que mesmo depois de todo esse tempo eu ainda me surpreendo com o que vejo. Obviamente não falo aqui da parte técnica, como luz, fotografia, ângulo de câmera,  plano sequência ou atuação. Aqui, eu quero falar daquela coisa que invade o peito, a cabeça e nos traz aquela emoção – seja ela lá qual for: o roteiro.

É fantástico como alguns roteiristas são dotados de uma sensibilidade que nos acerta quase que no âmago. Eles têm a capacidade de levar as nossas realidades às telinhas, ou de fazer com que sintamos que aquela realidade também é um pouco nossa.

(Reprodução da Internet)

Afinal, vocês vão concordar que nem todas as coisas que nos emocionam num episódio nós de fato vivenciamos na real life. Por diversas vezes, inclusive, são realidades completamente diferentes da nossa, mas diferente não quer dizer indiferente.

 

Certo, Lari (a pessoa tá tão louca que já se chama pela 3ª pessoa, ê beleza…), mas por que estamos falando disso mesmo? Há um tempo assisti um episódio de Bones S02E02 – Mother and Child in te Bay – e confesso que a sensibilidade com a qual foi tratada a relação de Booth (o típico agente do FBI das séries americanas) com o novo relacionamento de Rebecca (Nada mais que Dra. Arizona Robbins de Grey’ Anatomy!!!! Meu coração quase não aguentou de tanta emoção!), mãe de seu filho, me deixou encantada! A sequência e as falas, as emoções demonstradas dos atores quase me fizeram acreditar que era real. Mas podia ser, não?! Enfim, o fato é que a forma como a situação foi tratada me fez começar a refletir sobre essas ligações eternas, afinal, tirando a fala do episódio: “They share a son”. Mais do que isso, me fez ver como uma cena me fez pensar sobre a situação (um pouco do que falamos nos comentários do Piloto).

(Reprodução/FOX)
(Reprodução/FOX)

Vocês já pararam pra pensar na quantidade de problemas que uma criança sofre quando os pais não se respeitam depois de um divórcio? Os filhos acabam sendo os mais afetados. No entanto, se os pais se apoiam e apoiam eventuais novos relacionamentos do outro, os filhos acabam ganhando um novo pai e uma nova mãe. As relações sociais já têm estado tão desgastadas, não? Cabe a gente enxergar certas coisas e tentar mudar, assim como Agent Booth faz em Bones.

Na verdade, pelo que vi, Bones tem cenas espetaculares quando aborda a vida dos personagens. Além disso, as falas são fantásticas, daquelas que nos trazem sentimentos e não apenas meras frases de efeito. Muito embora eu tenha começado a assistir por ser uma série policial (mais uma!), é a matéria extra-policial que mais encanta.

O excesso de sensibilidade de Ângela contraposto com o distanciamento de Brennan traz um equilíbrio muito bacana ao seriado. Na realidade, acho que os quatro (a partir da 2ª temporada, 5) do laboratório – além, claro, de Booth – têm uma dinâmica muito boa. São personagens completamente diferentes mas que juntos são fantásticos! Talvez, as diferenças entre eles sejam a grande sacada de Bones e o motivo de serem um grupo tão coeso.

No mais, torço para que os roteiristas continuem exatamente assim, nos encantando e emocionando, nos fazendo rir e chorar, odiar e nos apaixonar mas, principalmente,

(Reprodução/ABC)
(Reprodução/ABC)

transformando os nossos dias e nos permitindo enxergar a(s) realidade(s) de outra forma. É Bem verdade que ainda há um universo gigantesco de temas polêmicos e sensíveis a serem explorados pelas séries para que cumpram mais do que um papel de entretenimento, um papel de transformador social. Essa evolução, imagino, será lenta e gradual, mas vai chegar lá!

De toda forma, enquanto acompanhamos esse desenvolvimento, nos encontramos aqui para falar mais sobre ele e sobre o que já vem acontecendo e mudando.

Vejo vocês no Papo Seriado – Ep.03 – Primeiro Top Five

Xoxo.

15 COMENTÁRIOS

  1. É realmente incrível isso. Como a gente pode se ‘teletransportar’ para a história e viver o que eles estão vivendo como se fosse em nossa própria pele (mesmo que a gente nunca tenha passado por algo parecido).
    Seriado, filmes, livros são foda justamento por nos deixar viver em um mundo paralelo nem que seja por um episódio, no caso das séries. hehe Enfim, eu amo quando a emoção sai da tela e envolve a gente realmente. E acho ~ realmente ~ incrível quando as séries resolvem escancarar problemas sociais.
    XOXO,
    F.

    • Sim, isso é o melhor, Nanda! Acho até que isso é o que mais me encanta nos seriados, sabe? Acho que o mercado de séries tem crescido muito, hoje em dia quase todo mundo assiste um seriado, é importante que roteiristas e produtores entendam o papel deles na sociedade!

      :*

  2. Sobre roteiros fantástico e enquanto estava lendo, sobre relacionamentos familiares e talz. Só me veio na cabeça Brothers and Sisters. O diálogo, o roteiro no geral, eh fantástico.

  3. Li teu texto e lembrei de This Is Us, que pra mim é uma das maiores surpresas nos últimos anos em termos de roteiro na TV aberta americana. Um texto super sensível, tramas numa linha atemporal (sem perder o nível) e abordagens de temas familiares e interpessoais super delicados.

    • Eita! Tá até na minha lista pra começar depois da mono. Bom saber que é assim tão boa, principalmente pq indiciação tua vale ouro! hahahaha Vou até antecipar pra ver logo! Obg, Duh!

  4. Já que o tópico é relacionamentos familiares, um filme que é bem bonito à respeito de tal assunto é o “Túmulo dos Vagalumes”, uma animação japonesa (definitivamente não destinada para crianças), onde duas crianças, os irmãos Seita e Setsuko, após um bombardeio numa cidade japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, tem de sobreviver sozinhos e com a indiferença das pessoas a sua volta. O filme não é maçante além de ser sensível e emocionante realmente nos mostra uma visão diferente da guerra. A trilha sonora é maestral e encaixa perfeitamente com cada sentimento vivido na tela. Quando a setusko fala “Seita, porque os vagalumes morrem tão cedo?” é um momento de embrulhar o estomago. A beleza e a fluidez com que a relação dos dois irmãos é retratada é um marco no cinema. Uma coisa é verdade, você vai chorar bastante ao assisti-lo!

  5. A primeirqa tempora de Life Unexpected foi linda , alguns epísodios me fizeram chorar , não de tristeza , mas de emoção. Os personagens eram reais e humanos e não humanoídes, como em alguns sériados e na maioria dos fillmes de hoje em dia.
    A Tv americana vive sua Era de Ouro há mais de uma década. É la onde estão os melhores e mais criativos na atualidade. Um seriado permite ao contador de estórias desenvolver com calma a estória e criar uma densidade que seria muito dificil no cinema, principalmente para um público de cinema que está acostumado a tudo em ritmo de videogame.

    • Life Unexpected é, ainda hoje, um dos cancelamentos que mais me doeu, sabia? Achava a série de uma sensibilidade enorme e gostava muito a atriz principal, que depois fez The Secret Circle, também sem sucesso. E concordo com você quanto à proximidade que os seriados oferecem, como falei lá no primeiro post, eles parecem realmente passar a fazer parte de nossas vidas. Em todas as seasons tem surgido mais um monte de séries maravilhosas, espero mesmo que sejam enredos cada vez mais profundos. É esperar pra ver…

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