Crítica: Minha Mãe é Uma Peça 2

Com roteiro mal desenvolvido, Minha Mãe é uma Peça 2 se salva pela força da personagem Dona Hermínia e das interpretações presentes no filme, que garante as risadas.

Minha Mãe é uma Peça 2 (Reprodução/Downtown Filmes)
Minha Mãe é uma Peça 2 (Reprodução/Downtown Filmes)

Com o estrondoso sucesso no teatro, Minha Mãe é Uma Peça migrou para os cinemas, enfrentando os problemas que adaptações de peças teatrais para as telonas sofrem na maioria das produções lançadas no Brasil, principalmente as de comédia – “E aí, Comeu?” e “Fica Comigo Esta Noite” são grandes exemplos de produções engessadas, presas a piadas orgânicas que pelo conjunto da obra, não funcionaram nos cinemas (embora tivessem um ótimo desempenho nos palcos). Paulo Gustavo surge então como o grande responsável por quebrar esse gelo e manter a qualidade do filme protagonizado por sua personagem, a Dona Hermínia, ao migrá-lo do teatro para o cinema – mas como a maioria das franquias, nem sempre essa qualidade se mantém do original para a sua continuação.

Minha Mãe é uma Peça 2 tem como alicerce a interpretação e a veia cômica de Paulo Gustavo, que mais uma vez faz um de seus melhores trabalhos interpretando a Dona Hermínia. Na trama, a protagonista tem seu programa de TV, um talk-show que tem como público as donas de casa. Em casa ela é rígida com os filhos e cheia de cobranças, até que eles resolvem acordar pra vida e procuram trabalho – e quando acham, decidem ir pra longe da mãe, que fica emocionalmente abalada com a distância. Além disso, Hermínia tem que lidar com sua tia, cada dia mais doente e com suas duas irmãs que só deixam a nova apresentadora de TV cada vez mais estressada.

Com uma boa trama para desenvolver, Paulo Gustavo e Fil Braz pecam no roteiro – as vezes forçado, como no diálogo do jantar de Hermínia e Carlos Alberto (Herson Capri), e as vezes com uma montagem sofrível, semelhante a uma junção de várias esquetes dos programas de humor do protagonista. Ainda assim, Minha Mãe É Uma Peça 2 arranca boas risadas com as situações armadas por Dona Hermínia e seu perfil “sem papas nas língua” – inclusive é a personagem que segura a veia cômica do filme – e a semelhança das situações vividas por ela e seus filhos com o que muitos espectadores vivem no dia a dia.

Vale destacar também a atuação de Patricia Travassos como a irmã louca Lúcia Helena ao lado de Alexandra Richter no papel de Iesa, que juntas a Dona Hermínia, também rendem bons diálogos para cada situação, seja num tom cômico ou mais sentimental, conforme o momento exige. Richter e Paulo Gustavo, aliás, encenam uma das melhores tomadas do longa, a cena da tupperware. Ainda que com uma participação pequena, Samantha Schmutz tem também seu momento de brilho como a intrometida empregada Valdéia.

Com altos e baixos ao longo do filme, Minha Mãe É Uma Peça 2 tem ainda um final que deixa a desejar, partindo de um roteiro pouco fluido que resulta num desfecho mal desenvolvido, apressado. Com a possibilidade de uma continuação que fica nas entrelinhas dos minutos finais, há de se trabalhar melhor diversos aspectos para que a produção não vire uma franquia que começou com qualidade e a perdeu, ainda que não tenha mantido a graça e continue arrancando gargalhadas do público.

Por: Paulo Cavalcante

2 COMENTÁRIOS

  1. Por seu comentário vemos que a continuação do filme não é tão bom quanto o primeiro. Mas como ainda foi “aprovado” por você, irei assistir o filme. Abraços.

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