Papo Seriado – Ep. 09 – Representatividade

Como já conversamos, precisamos falar sobre a importância dos seriados nas mudanças sociais, e, hoje, escolhi destacar um assunto: Representatividade.

Representatividade
Papo Seriado/Representatividade

Hello again!!!  Cá estamos nós de novo! Queria até aproveitar esse começo de postagem para agradecer àqueles que estão sempre aqui curtindo, comentando e acompanhando! Como eu disse no Papo Seriado – EP. 01, esse espaço é nosso e, obviamente, só faz sentido se vocês estiverem aqui. Exatamente nessa onda de mencionar o que já foi discutido, queria me aprofundar um pouco mais em algo que já falamos no Papo Seriado – Ep. 02: a importância dos roteiros enquanto transformadores da nossa realidade. Para isso, hoje, queria conversar sobre um tema muito importante: Representatividade.

(Reprodução/Fox)
(Reprodução/Fox)

Representatividade é um tema cada vez mais atual (ainda bem!) e, nesse ponto, acho que o universo dos seriados têm contribuído bastante para isso. Grandes séries de sucesso têm personagens gays, pessoas com deficiências, negros em papéis principais… Mas, hoje, vamos falar especificamente da comunidade LGBT! O mais importante da inserção dessas minorias é que os personagens se mostram fortes pelo que são, como pessoas ou profissionais e não que se destacam por ser “o personagem gay”. Como eu sempre puxo sardinha para o meu lado, gostaria de mencionar aqui Callie e Arizona, um dos casais mais queridos de Grey’s Anatomy.

Callie entra primeiro na série, começa a namorar George O’Malley, 007,

(Reprodução/ABC)
(Reprodução/ABC)

fica com Mark Sloan (Vocês tem que admitir que ela não é fraca) e, enfim, se apaixona por Arizona Robbins, com quem casa e cria Sofia, filha que teve com Sloan. A família formada pelas três é uma coisa linda de se ver (ou, como diria Hebe Camargo, linda de viver!), e a compreensão que é passada por Sofia, entendendo que teve um pai que a amava e, agora, tem duas mães que a amam, é tratada com uma sensibilidade incrível e faz com que todos nós desejemos ter uma Callie e uma Arizona nas nossas vidas.

Mais do que isso, as duas são as melhores médicas nas suas áreas (ortopedia e pediatria, respectivamente), ganhando cada vez mais destaque na série e dentro do corpo de Médicos do Grey-Sloan. E é aí que reside uma das partes mais importantes no roteiro de Grey’s Anatomy: elas não são “As médicas lésbicas”, longe disso, elas são “As especialistas em suas áreas”. E, aqui, vocês podem me perguntar porque eu tou batendo tanto na tecla de “definir a pessoa pela expressão da sua sexualidade”.

(Reprodução/Freeform)
(Reprodução/Freeform)

Ora, vocês já pararam para analisar que isso, infelizmente, é mais uma forma de preconceito?! Afinal, nunca vi ninguém dizer “meu melhor amigo hétero é maravilhoso” ou “Sabe aquela advogada hétero?” e porque cargas d’água quando se trata de alguém que ama outra pessoa do mesmo sexo isso deve defini-la?! Eu sou definida pela minha relação com meu namorado? Não me parece que sim. O grande problema é que alguns (pré-)conceitos estão tão impregnados na nossa sociedade que por diversas vezes nós nem enxergamos que as coisas funcionam assim – de maneira equivocada. Esses “rótulos”, na verdade, já deveriam ter sido abolidos há muito tempo!

“Obrigado a todos por me fazerem rei deste baile gay. Eu não quero ser rei do baile gay ou ser o melhor amigo gay ou o gay que se casa. Eu só queria ir ao baile, ser um amigo e, talvez, casar. Todos vocês me veem mais como um objeto ou um símbolo. Acho que fui o culpado disso. Usei meus amigos como escudos para me esconder. Eu tive amigos que se importaram comigo, eu sendo gay ou o que quer que fosse. E eu tive um melhor amigo com quem compartilhava tudo. E tudo o que eu quero… Digo, eu daria tudo só para ser seu fiel coadjuvante outra vez. Muito obrigado.” G.B.F.

(Reprodução/Vertical Entertainment)
(Reprodução/Vertical Entertainment)

E o mais triste é que quando eu estava tentando achar o discurso do filme G.B.F.¹ (que, por sinal, eu super recomendo), acabei passando por inúmeras postagens que falavam exatamente como era bom ter um amigo “G.B.F.”. Isso é curioso porque eu sempre achei sensacional ter vários “B.F.’s²” independente do “G”, afinal, as pessoas são muito mais do que as orientações sexuais delas. Eu não amo alguém por gostar de azul ou rosa, por torcer pelo Sport ou Flamengo, por ser Preto ou Ruivo… Não, a gente deve amar as pessoas pelo que elas são e, aqui vale o destaque, entendo que essa luta é uma luta de todos nós, Gays ou não; é uma luta sobre ser “ser humano” e não só “existir humano”. O amor livre sequer deveria precisar ser conquistado…

É por isso que eu desejo ver muito amor nos seriados, nos filmes, nos clipes, nas músicas, nos livros, nas novelas e, principalmente, nas nossas vidas! O amor em todas as suas formas e cores é o mais belo presente que temos a dar ou receber de alguém e ninguém no mundo deveria sequer achar que tem o direito de tirar isso de outra pessoa. Principalmente porque, meus amigos, ninguém tem esse direito.

Pensem sobre isso e me digam o que acham! Vejo vocês no nosso décimo Papo Seriado!!!

Xoxo.

¹ G.B.F. = Gay Best Friend, o que seria traduzido como Melhor Amigo Gay, no Brasil o filme ficou com o título de Meu Melhor Amigo Gay.

² B.F. = Best Friend, em português, Melhor Amigo.

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Lariiiii, que texto, esse assunto eh realmente babadeiro.
    Adoro quando as séries americanas tratam isso. E vejo que agora em todas elas existem.
    Aki no Brasil ainda estar engatinhando (tão 2005) Kkkkkk, mais vamos lá. Firme e forte !

    • HAHAHAHAHAHA
      Sim! Importantíssimo que tratemos disso, pra ontem, e com a naturalidade que é inerente a esses assuntos. Mesmo que devagar, sei que logo nós teremos isso por aqui também…

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