Crítica: Estrelas Além do Tempo

Dirigido por Theodore Melfi, Estrelas Além do Tempo retrata uma equipe de cientistas negras que foram fundamentais para a chegada do homem à lua.

Estrelas Além do Tempo ( Reprodução/ Fox Film)
Estrelas Além do Tempo ( Reprodução/ Fox Film)

A necessidade de se dividir o movimento feminista com base na cor da pele foi necessário porque assim como machismo, o racismo existe e está mais próximo de nós do que podemos imaginar. No início da década de 60 não era diferente, como vocês verão em Estrelas Além do Tempo, filme baseado no livro Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win The Space Race da autora estadunidense Margot Lee Shetterly.

O longa traz uma narrativa tríade, onde cada um desses pilares é representado por uma personagem: Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Mary Jackson (Janelle Monáe) e Dorothy Vaughn (Octavia Spencer), ambas funcionárias da NASA. Como plano de fundo homens brancos no cenário da Guerra Fria, que fechavam os olhos para uma guerra que as três protagonistas travavam diariamente contra a soberba e os olhares indigestos desses homens e, inclusive, de mulheres brancas. A segregação racial também é percebida pelas constantes placas com “colored people” que indicam o banheiro e o café das funcionárias negras, por exemplo.

Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe (Divulgação/Fox Film)

Katherine desde criança já dava sinais da sua mente brilhante, capaz de resolver qualquer problema matemático. Mary apesar de negar tem dentro de si o desejo de se tornar engenheira. Dorothy tem um espírito de liderança capaz de identificar o potencial das suas funcionárias e lutar por elas, o que torna essa personagem o destaque da história. Enquanto a cena de Katherine correndo para realizar necessidades básicas é construída para ser risível, vemos Mary tomar uma decisão importante da sua vida estimulada pelo seu chefe, um homem judeu que afirma entender o preconceito que ela sente. Já Dorothy, incansável, luta por conta própria e acima de tudo demonstra um fator importante dessa luta, a conscientização da sua classe, explícito na capacitação que ela realiza para suas garotas, as tornando peças centrais para o futuro.

No geral, o que eu chamo de escorregos da direção podem se transformardos em riso pela maioria dos espectadores, o que é perigoso, ainda assim a direção do longa que ficou por conta de Theodore Melfi, soube conduzir a história e minimizar muito bem seu plano de fundo hegemônico na maioria das produções cinematográficas. Foi sutil ao nos deixar alguns pequenos indícios na última cena, afinal de contas te servir um café e te deixar colocar o nome no seu trabalho não é suficiente para que você suba ao púlpito das decisões, até porque se fosse hoje não veríamos casos de racismo e machismo.

Por fim, Estrelas Além do Tempo serve para nos lembrar que ainda hoje desconhecemos histórias incríveis que foram silenciadas ao longo dos anos, por isso, vá ao cinema e conheça a história de três mulheres negras que brigaram pelo espaço que queriam, o ocuparam e foram pioneiras nas suas conquistas.

Por: Lais Rilda

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