Crítica: Manchester à Beira-Mar

Drama forte sobre perdas, arrependimentos e superação, Manchester à Beira-Mar chega aos cinemas como um dos favoritos ao Oscar 2017; confira a crítica.

Casey Affleck e Lucas Hedges em Manchester à Beira-Mar (Reprodução/Sony Pictures)
Casey Affleck e Lucas Hedges em Manchester à Beira-Mar (Reprodução/Sony Pictures)

A experiência como roteirista de filmes aclamados como “Máfia no Divã” (1999), “Conte Comigo” (2000) e “Gangues de Nova York” (2002) proporcionou a Kenneth Lonergan confiança o bastante para se arriscar num intenso e dramático projeto como Manchester à Beira-Mar, cinco anos depois de seu último trabalho como cineasta em “Margaret” (2011).

A produção estrelada por Casey AffleckLucas Hedges conta a história de depressivo e fracassado rapaz que trabalha como zelador, que precisa voltar à cidade que deixara para trás para tratar da morte do irmão. De brinde, ganha a indesejada guarda do sobrinho, a quem era tão próximo em sua infância.

Casey Affleck surge como Lee, um sujeito pouco simpático e inexpressivo – características que são parte do personagem e parte do seu trabalho como ator. Embora o personagem seja problemático e guarde mágoas e arrependimentos do passado, resultando num perfil introvertido,  Affleck não apresenta mais do que uma simples atuação, com nada de brilhantismo. São poucas as cenas que o ator passa emoção quando estas requerem.

Ao contrário do Affleck, Michelle Williams dá um show de interpretação mesmo com pouco tempo de tela. No papel da ex-esposa de Lee, Michelle dá a cara a tapa em cenas fortes que reafirmam a qualidade do roteiro de Lonergan. Manchester à Beira-Mar ainda tem o jovem Lucas Hedges, na pele do orfão Patrick, leva seu personagem com fluidez do drama ao escape cômico do roteiro, na maioria das vezes vindos de seus diálogos (e discussões) como seu tio Lee e com suas duas namoradas.

O trabalho de Kenneth Lonergan no papel duplo de diretor e roteirista funciona bem – os momentos de silêncio provenientes da ausência de texto tem sua carga dramática garantida através do exercício de direção do cineasta, ao passo que as linhas do roteiro quando presentes, são responsáveis por apresentar os momentos intensos e reveladores da trama. Ainda que com um apático Casey Affleck, os outros protagonistas e coadjuvantes dão o tom necessário para fazer de Manchester à Beira-Mar um bom filme sobre ações, consequências, arrependimentos e superação.

Por: Paulo Cavalcante

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