Crítica: O Chamado 3

Retomada da franquia sofre com falhas na direção e com o roteiro mal executado tornando questionável a necessidade da existência de O Chamado 3.

Cena de O Chamado 3 (Reprodução/Paramount Pictures)
Cena de O Chamado 3 (Reprodução/Paramount Pictures)

Doze anos se passaram desde que o segundo longa de “O Chamado” estreou nos cinemas para só então a franquia ganhar sua retomada. No Brasil a obra ganhou o título de O Chamado 3 (por questões comerciais e de marketing) enquanto que o título original é “Rings”, que faz mais sentido levando em conta a premissa do novo filme.

Os protagonistas do longa são o casal  Julia e Holt, que desenvolvem uma paixão intensa, daquelas que um é capaz de se arriscar pra salvar a vida do outro e é isso que eles fazem durante toda a trama. Porém, o roteiro não permite nenhuma aproximação do público com as personagens, que parecem sem personalidade e não provocam empatia. Matilda Lutz e Alex Roe embarcam em “O Chamado 3” como um casal sem sal, com atuações certamente prejudicadas pela concepção do filme.

Para O Chamado 3 a lenda de Samara foi retomada, desta vez na tentativa de se modernizar  – seja quando a fita com o vídeo misterioso é trocada por pendrives e arquivos digitais que se multiplicam em dois cliques ou na criação de uma rede semelhante a uma seita formada por jovens que são convencidos a assistir uma cópia do vídeo para, sem saber, salvar outra pessoa da maldição, numa narrativa bem semelhante ao que vimos no ótimo terror “Corrente do Mal”. E por falar em semelhanças, há também um pouco de “O Homem nas Trevas” (“Don’t Breathe”), numa das sequência na segunda metade do filme.

A direção do espanhol F. Javier Gutiérrez é questionável, ainda que este seja seu trabalho de estreia em Hollywood. “O Chamado 3” é mal editado, com sequências picotadas e unidas com uso incessante de fade out. A sequência no avião, por exemplo, parece um curta aleatório jogado ali no começo do filme pra relembrar sobre o que é “O Chamado”, mas fazendo uso de um texto mal escrito que muito relembra as atuações forçadas e reviravoltas exageradas das novelas mexicanas. Já a fotografia parece sofrer de indecisão quanto ao que adotará para o seu visual – ora varia de um tom azul ao esverdeado, ora é excessivamente iluminada.

O Chamado 3 é um filme com uma boa premissa, que apostou na renovação da franquia com uma nova forma de trazer a maldição à tona (com o vídeo dentro do vídeo) e com uma modernização da sua ambientação, mas errou ao tirar do papel um projeto extremamente mal executado. Depois do texto ter passado pela mão de três roteiristas, esperava-se no mínimo uma produção que chegasse perto do que vimos no primeiro filme da franquia, inspirado no original japonês. Para os fãs da franquia este novo filme pode ser decepcionante, ainda que deixe uma esperança, através da cena final, que algo melhor possa vir a ser feito.

Por: Paulo Cavalcante

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