Crítica: TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva

TOC traz Tatá Werneck guiada por um bom roteiro mas peca quando faz da sua interpretação um misto de suas próprias personagens; química dos protagonistas e improviso é um dos trunfos do filme.

Daniel Furlan e Tatá Werneck em cena de TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva (Reprodução/ Downtown Filmes)
Daniel Furlan e Tatá Werneck em cena de TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva (Reprodução/ Downtown Filmes)

Ao enveredar por um trama cômica que usa como título uma doença, os cineastas Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic poderiam ter escorregado a mão e produzido um filme que em algum momento iria ofender os portadores do TOC (Transtorno Obssessivo Compulsivo). Por sorte, seguiram um caminho diferente e que deu certo. TOC – Transtornada Obssessiva Compulsiva traz Tatá Werneck num de seus melhores trabalhos, ainda que com as mesmas interpretações de sempre.

O longa traz Kika K., uma atriz que fez sucesso quando seu personagem engatou um romance com o galã da novela. O affair foi levado também pra vida real onde ela se relaciona com o rapaz escroto vivido por Bruno Gagliasso. A medida que busca agora um papel de protagonista no principal horário de novelas da TV com ajuda de sua agente (Vera Holtz), tenta lidar com o seu livro publicado por ghost writer e é perseguida por um fã obcecado (Luis Lobianco), Kika K. descobre que, apesar de sua vida parecer um lixo e que ela não deva ter preocupações – afinal, tudo pode estar pior pra quem vive fora desse mundo artístico -, ela não é tão feliz assim e os problemas começam a vir à tona.

Não enfatizar o “TOC” foi uma saída dos cineastas e de Tatá Werneck afim de evitar qualquer má interpretação com a proposta cômica do filme. O transtorno está ali, sutil no perfil da personagem, mas as situações que ela vivencia e as enrascada que se mete dão o tom do roteiro, que passou por diversas alterações até chegar ao produto final nas telonas.

TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva faz perceber que é uma crítica sincera e escrachada ao universo das celebridades instantâneas, que surgem do nada e fazem de tudo para se manter nos holofotes, mesmo que aquilo não seja realmente o que ela quer fazer. A cena em que Kika é obrigada a dar entrevista sobre o livro que ela nem escreveu demonstra bem isso – o olhar vazio de quem não está nada a vontade com a situação mas o sorriso forçado estampado na cara, mostrando que é simpática e precisa vender seu produto e sua imagem.

Além do roteiro bem alinhado (que permeia as situações vividas pela personagem entre a realidade e o bizarro), Tatá Werneck tem um trunfo – a liberdade para improvisar, uma das melhores habilidades da atriz como comediante. Ainda assim, este é mais um trabalho em que Tatá faz mais do mesmo quando o assunto é atuar – é nítido em TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva a atriz interpretando um misto de seus personagens já conhecidos do seu tempo na antiga MTV Brasil.

Mas o filme não é só de Tatá Werneck – Daniel Furlan é dos grandes acertos da produção, cuja química com a protagonista o faz se destacar como Vladimir, que chega para mostrar um novo mundo a Kika K; Luis Lobianco aparece com um personagem irritante mas fundamental para o desfecho da trama; a agente vivida por Vera Holtz é tão ríspida que em alguns momentos parece que estamos vendo sua personagem das novela das 21h (” A Lei do Amor”) no longa; e Ingrid Guimarães surge numa participação um tanto dispensável quando serve apenas de escada para que uma virada do roteiro se torne possível.

Fazendo piada com o drama excessivo das telenovelas e com o atual auge do cinema pernambucano, TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva é um filme sobre lidar com as decisões e saber a hora de buscar coisas novas, afinal, quem nunca teve vontade em certo momento da vida de “ligar o foda-se”?

Por: Paulo Cavalcante

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