Crítica: Fragmentado

Thriller psicológico com James McAvoy e do diretor M. Night Shyamalan, Fragmentado apresenta temas fortes que se alinham numa trama cheia de suspense.

Fragmentado (Foto: John Baer/Universal Pictures)
Fragmentado (Foto: John Baer/Universal Pictures)

Aclamado pelos suspenses “O Sexto Sentido” (1999) e “Corpo Fechado” (2000), M. Night Shyamalan viu sua força no cinema Hollywoodiano de gênero atenuar nos anos seguintes. Depois de receber o Framboesa de Ouro por “A Dama na Água” (2006), o cineasta precisava voltar a acertar o tom e reencontrar seu público – e eis que conseguiu com Fragmentado, thriller estrelado por James McAvoy (“X-Men: Apocalipse”) e Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”).

O longa caminha por três perspectivas – o plot principal de “Fragmentado”, que se baseia no sequestro das três adolescentes por um Kevin (James McAvoy) dominado por uma de suas outras 22 personalidades; a relação de Kevin com sua psiquiatra, a Dra. Fletcher (Betty Buckley), que ao perceber sinais da instabilidade mental do paciente vindo à tona depois de um tratamento exitoso, procura ajudá-lo; e por fim, os flashbacks da infância de Casey (Anya Taylor-Joy) que mostram que ao mesmo tempo que seu pai esteve presente para torná-la uma mulher forte e guerreira, o seu tio também estava do lado para mostrar suas fraquezas da pior forma possível.

Shyamalan faz do cativeiro o seu parquinho de diversões. Brincando com a câmera, faz com que o seu posicionamento em cada tomada capture o sentimento de claustrofobia e medo vivido pelas personagens, ao mesmo tempo que usa para caminhar pelos cenários, fazendo das lentes os olhos do espectador, criando uma precisa atmosfera de imersão. Fragmentado tem também o apoio da direção de arte que trabalhou bem na composição das locações, com os objetos de cena posicionados em lugares precisos criando uma arquitetura que casa bem com a ideia proposta pelo diretor, que também fez a vez de roteirista.

A profundidade do roteiro de M. Night Shyamalan é capaz de criar camadas emocionais ao observador, ao passo que discute temas fortes como a psicologia, múltiplas personalidades e as violações físicas, costurando a narrativa para que tudo esteja interligado e faça sentido durante todo o filme. O texto entrega um roteiro bem construído, que permite James McAvoy apresentar uma interpretação ímpar, com uma singularidade característica de cada uma das personalidades que ocupam a mente de seu personagem.

Embora a trama de sequestro e tentativas repetitivas de fuga num cativeiro cuja planta é desconhecida lembre outros excelentes suspenses recentes como “Rua Cloverfield 10” (“10 Cloverfield Lane”) e “O Homem nas Trevas” (“Don’t Breathe”), Fragmentado tem suas particularidades, com uma trama intensa e dramática, que aposta na sensibilidade e nos traumas dos protagonistas. E pra quem é fã do diretor, a última cena é uma ótima surpresa.

Por: Paulo Cavalcante

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