Crítica: Kong – A Ilha da Caveira

Kong - A Ilha da Caveira é mais que um reboot de "King Kong"; é a apresentação de um novo universo e a expectativa por uma grandiosa briga de gigantes.

Kong - A Ilha da Caveira (Reprodução/Warner Bros.)
Kong – A Ilha da Caveira (Reprodução/Warner Bros.)

Um rei. Um mito. É assim que podemos definir a criatura grandiosa que é Kong, um trunfo que Hollywood sustenta desde 1933, quando foi levado para as telonas através da brilhante mente do cineasta Merian C. Cooper. De lá pra cá, várias versões foram lançadas, desde os spin-offs não autorizados produzidos ao redor do mundo aos originais como o clássico de 1962, quando Kong enfrentou o Godzilla pela primeira vez e no filme de 1976 com atuações grandiosas de Jessica Lange e Jeff Bridges. Peter Jackson deu o seu tom revivendo o clássico em 2005, agora com Naomi Watts como protagonista e os efeitos especiais tornando tudo mais real. Agora Kong está de volta para fazer parte de um evento grandioso – a quadrilogia “Monsterverse” que começou em 2014 com o reboot de “Godzilla” e agora continua com Kong – A Ilha da Caveira.

A desistência dos EUA à guerra do Vietnã é o pano de fundo para os eventos que se desenvolvem nas duas horas do filme. Quando o geólogo Bill Randa (John Goodman) consegue autorização do governo para uma expedição em busca de uma ilha até então desconhecida ao Sul do Pacífico, o general Preston Packard (Samuel L. Jackson) é dominado pelo gosto da derrota e decide tentar esquecê-la embarcando numa nova aventura com seus soldados. Com eles vão juntos um rastreador (Tom Hiddleston) e uma fotógrafa (Brie Larson), além de uma equipe de cientistas.

A ilha, que parecia inabitada, se revela um habitat de animais gigantes – ora conhecidos, ora estranhos. Mas a recepção dos recém-chegados fica por conta de Kong, que está disposto a proteger sua ilha do perigo. A derrota na guerra e a hospitalidade destruidora de Kong acaba por inflamar em Packard a vontade de se fazer vencedor, decidido a qualquer custo derrotar o gigante gorila.

Reprodução/Warner Bros.
Reprodução/Warner Bros.

O desenvolvimento de Kong – A Ilha da Caveira faz lembrar, e talvez haja inspirações ao roteiro, da série “O Mundo Perdido” (1999-2002) e de filmes como “Apocalypse Now” (1979), dosados com o alívio cômico de “Trovão Tropical” (2008). Enquanto a tensão se instaura na briga entre Packard, Kong e as criaturas estranhas da ilha, o humor fica por conta das tiradas dos soldados, coadjuvantes meramente descartáveis.

O fator “descartável” é algo que o cineasta Jordan Vogt-Roberts apostou em “Kong”. A primeira meia hora de filme já deixa claro que ninguém está seguro e não dá nenhuma garantia de que algum personagem chegue ao fim vivo (salvo exceção para aqueles que conhecem a história do King Kong e sabem quem são os personagens chave, que acabarão sobrevivendo no final). O roteiro de Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly é afiado, assim com a direção de Vogt-Roberts, embora o longa apresente algumas falhas na montagem, cuja edição parece se perder no começo do filme resultando – em seus primeiros trinta minutos – numa narrativa corrida e cheia de cortes.

Nos papéis principais, Tom Hiddleston e Brie Larson foram menos protagônicos do que deveriam ser – seja por falha do roteiro ou por que assim quiseram, o longa é completamente protagonizado por Kong e as criaturas da Ilha da Caveira. Esses seres que roubaram a cena tem muito do trabalho da equipe de efeitos visuais que fez um ótimo casamento com o design de produção do longa, ainda que sua composição tenha sido menos “de encher os olhos” que os animais do “King Kong” de Peter Jackson.

Com cenas de ação deslumbrantes e a tensão das brigas entre humanos e criaturas, Kong – A Ilha da Caveira traz um bom reinício para a história do famoso King Kong e nos introduz ao MonsterVerse que vem sendo construído – a cena pós-crédito é a prova viva de que algo grande está por vir nas próximas sequências.

Por: Paulo Cavalcante

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