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Crítica: Logan

Novo filme traz a despedida de Hugh Jackman no papel do X-Men; Logan traz o verdadeiro Wolverine que os fãs tanto esperavam pra ver nas telonas.

Hugh Jackman em cena de "Logan" (Reprodução/20th Century Fox)
Hugh Jackman em cena de “Logan” (Reprodução/20th Century Fox)

Já se passaram 17 anos desde que Hugh Jackman mergulhou no universo da Marvel nos cinemas como intérprete do Wolverine, seja nos filmes da saga X-Men ou em suas produções próprias – “X-Men Origens: Wolverine” (2009) e “Wolverine Imortal” (2013). No que foi visto de lá pra cá, os fãs das HQ’s dos heróis mutantes podem confirmar que pouco se viu da personalidade e do desenvolvimento do personagem sendo transportado das publicações impressas para as telonas. Em Logan (2017), a 20th Century Fox conseguiu mostrar o verdadeiro Wolverine que tantos queriam ver, numa despedida icônica de Jackman do seu mais duradouro personagem no exercício das artes cinematográficas.

Baseado nos acontecimentos das HQ’s “Wolverine – O Velho Logan” (2008) e “A Morte de Wolverine” (2014), o longa dirigido por James Mangold traz o mundo em 2029, com um Logan velho, envenenado pelo adamantium e sua capacidade de se curar cada vez mais limitada. O Professor Xavier (Patrick Stewart), idoso e doente, vive sob a guarda do Caliban (Stephen Merchant) enquanto o eterno Wolverine trabalha como motorista de limusines afim de juntar dinheiro para comprar os medicamentos do professor, adquirir um barco e partir com o seu mestre para o mar em busca da morte em paz.

Embora pareça, Logan não vive uma vida pacata. Ele ainda precisa utilizar suas garras a medida que se mete em problemas entre um ou outro serviço como motorista. Inclusive é numa dessas encrencas que ele acaba conhecendo a pequena Laura (Dafne Keen), a qual ele não dá muita importância, mas logo é reconhecida pelo professor Xavier como importante para o futuro dos mutantes num mundo em que quase todos da raça foram aniquilados.

A ligação entre Logan e Charles, desde suas funções como X-Men até sua relação extremamente familiar (quase que de pai para filho) foram intensificadas não só pelo roteiro, mas pelo trabalho formidável das interpretações de Hugh Jackman e Patrick Stewart. O trabalho de maquiagem da produção do filme é uma excelência a parte revelando o albino Caliban e suas reações dérmicas quando na exposição ao sol; um Xavier e Logan envelhecidos, marcados pelo tempo e pelas lembranças; e ainda, em certo ponto da trama, um Logan renovado e num visual que remonta suas origens.

O roteiro de James Mangold, Scott Frank e Michael Green elevaram Logan a outro nível de ação. Deixa-se de lado a violência sóbria dos filmes da saga X-Men e aposta-se num estilo brutal e sanguinário, com direito a muito sangue e cabeças rolando (certas vezes lembrando as produções de Robert Rodriguez, mas com um orçamento maior). Em contraponto, a selvageria é equilibrada com doses de sensibilidade com a chegada da menina Laura, que define o rumo da trama e as próximas atitudes do Wolverine. A presença da personagem de Dafne Keen na história lembra muito a função da Eleven na trama da série Stranger Things – um papel fundamental com uma interpretação elogiável de uma tão jovem atriz.

Distanciando-se das tramas dos outros longas da franquia dos mutantes, Logan traz um herói mais realista e humano que ao lado de personagens emblemáticos atraem a empatia do público e faz desta produção um filme de super-herói memorável e que foge das fórmulas de outros filmes de heróis caça-níqueis. Um verdadeiro presente de despedida de Hugh Jackman da pele do Wolverine e para os fãs que o acompanham neste trabalho desde o ano 2000.

Por: Paulo Cavalcante

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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