Crítica: Alien Covenant

Ridley Scott deixa o horror de lado e faz de Alien Covenant um filme que repara os furos deixado pela mitologia do primeiro Alien e expandida em Prometheus.

Cena de Alien Covenant (Reprodução/Fox Film)
Cena de Alien Covenant (Reprodução/Fox Film)

Depois do divisor de águas que foi Prometheus (2012) e de continuações mal sucedidas do original e elogiado Alien – O Oitavo Passageiro (1979), Ridley Scott prometeu retomar a franquia com Alien Covenant (2017), propondo um filme mais denso e que trouxesse à tona as origens do xenomorfo que conquistou os cinéfilos.

O novo longa do diretor de Gladiador (2000) se passa no ano de 2104, quando a nave Covenant viaja pelo espaço carregando a tripulação e embriões afim de colonizar o planeta Origae-6, localizado anos-luz distante da Terra. Um acidente cósmico danifica a nave e obriga o andróide Walter (Michael Fassbender) a acordar a tripulação – algo bem parecido com o que vimos em Passageiros (2016), de Morten Tyldum, embora sob uma abordagem diferente. A descoberta de um planeta próximo a localização da nave e com indícios de que já é povoado por humanos desperta a curiosidade da tripulação e faz com que mudem sua rota.

Esta premissa dá início a uma jornada de descoberta que faz de Alien Covenant um filme tapa-buraco na mitologia criada por Ridley Scott, servindo ao público explicações para possíveis furos de “Prometheus” e “Alien – O Oitavo Passageiro”, além de dar respostas para questionamentos gerados por estas duas produções, principalmente pela primeira.

Como um todo, Alien Covenant apresenta um capricho técnico que já se destacava em 1979, quando o primeiro Alien chegou às telonas sem todo o arquétipo tecnológico disponível nos dias atuais. Ainda assim, é possível notar alguns deslizes, principalmente na utilização de efeitos especiais – como por exemplo, numa das cenas iniciais em que é possível ver a nave voando no espaço numa composição estranha aos olhos do espectador, assemelhando-se a uma maquete projetada frente a uma projeção sob fundo verde ou azul de um chroma key.

Diante de uma série de blockbusters Hollywoodianos que tem apostado no protagonismo feminino, uma das propagandas da equipe de “Covenant” na divulgação do longa era fazer da Daniels – a personagem de Katherine Waterston – uma protagonista tão forte quanto a Ripley  (Sigourney Weaver) de “Alien – O Oitavo Passageiro” e a Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) em “Prometheus”. Mas o que vemos aqui é uma participação que perde o brilho diante de um roteiro pouco desenvolvido para a personagem e que é ofuscado por uma trama que se desenrola apoiada no papel dos androides Walter e David – interpretados por Michael Fassbender – no desenvolvimento da trama dos xenomorfos, reforçando a ideia que “Covenant” funciona mais como uma continuação afim de dar mais explicações sobre “Prometheus” do que necessariamente servir também como um prequel do “Oitavo Passageiro”.

Tripulação da nave Covenant (Reprodução/Fox Film)
Tripulação da nave Covenant (Reprodução/Fox Film)

Quem acompanhou a divulgação de Alien Covenant sentirá falta de James Franco, que apareceu em cena nos trailers e virou uma foto de porta retrato no filme. Cortar seu personagem – o capitão Branson – da trama mostrou-se uma decisão equivocada quando poderia fundamentar as motivações de Daniels em sua jornada e dar mais densidade às suas dores ao criar uma empatia maior por parte do espectador. Mas se por falha de roteiro ou decisões superiores da direção alguns personagens ficaram de fora ou não tiveram o destaque que mereciam, alguns aproveitaram o pouco ou razoável tempo de tela para dar um show – nomeadamente Danny McBride como Tennessee e Carmen Ejogo, que deu intensidade e realismo as forçadas decisões – ora egoístas, ora imbecis – de sua personagem, Karine.

A priori, e como já discutido aqui, Alien Covenant deixou de lado o horror do longa original para funcionar como uma produção que veio para esclarecer dúvidas e solucionar questionamentos produzidos pelos espaços em branco deixados pela mitologia criada por Ridley Scott nos seus filmes predecessor e sucessor na cronologia de criação e colonização dos xenomorfos. Faltou apostar nas possibilidades que a mitologia “Alien” proporciona, e essa falta de coragem para ousar tornou Covenant aquém de outras produções como o recente “Vida” (2017), que mostrou ser mais eficiente ao tratar de uma trama de um ser extra-terrestre, embora tenha sido considerado pela mídia um filme “filho” do Alien de Scott.

Explicações sempre são bem vindas, mas o resultado deste trabalho tão aguardado parece ser um filme que esqueceu do que fez “Alien – O Oitavo Passageiro” um dos filmes mais comentados da sétima arte.

Por: Paulo Cavalcante

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