Crítica: Corra!

Com um roteiro que alia suspense, comédia e discussão de temas emergentes nas doses certas, Corra! eleva o terror a outro nível e faz deste um dos melhores filmes do ano.

Corra! (Reprodução/Universal Pictures)
Corra! (Reprodução/Universal Pictures)

Especialista em criar esquetes de humor para programas de TV em que brinca com a maneira como os americanos estereotipam os negros, Jordan Peele desenvolve em Corra! (“Get Out”) um roteiro que alia o suspense a comédia nas doses certas e discutindo temas emergentes na sociedade, elevando o terror a outro nível e fazendo deste um dos melhores filmes do ano.

O longa parte da premissa dos clássicos filmes de terror cujos personagens negros sempre são descartados cedo da trama. Peele subverte este fato e faz do negro o protagonista, aqui sob a óptica de uma família branca a quem a namorada Rose Armitage (Allison Williams) deseja apresentar. O medo escancarado pelo preconceito racial – que é real – e pelas brincadeiras de Rod (Lil Rel Howery), o jovem Chris (Daniel Kaluuya) acaba descobrindo a verdade sangrenta por trás da família Armitage.

A direção de Peele é brilhante nos dois primeiros atos de Corra!, instigando a desconfiança do espectador em relação às personagens ao mesmo tempo que Chris os conhece; com os planos abertos utilizados à medida que as pistas vão se encaixando; e a sensação de claustrofobia diante das imersões hipnóticas que imergem o protagonista numa espécie de poço sem fundo.

No ato final, Peele liga os pontos e enfatiza as discussões sobre preconceito impregnadas no roteiro de Corra!, apresentando as motivações dos antagonistas e tornando as cenas seguintes numa verdadeira tomada de fuga, mais uma vez aguçando as expectativas do espectador que embora esteja acostumado com a caçada final dos longas de terror e saiba que os desfechos geralmente são positivos para o protagonista, não deixam de temer que o mal vença.

Por: Paulo Cavalcante

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