Crítica 2 | Mulher Maravilha traz representatividade e a essência de Diana Prince

Mulher Maravilha se consagra como um dos melhores filmes de super-herói do ano contando a origem de Diana Prince e sua representatividade para a sociedade.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Mulher Maravilha (Divulgação/Warner Bros.)
Mulher Maravilha (Divulgação/Warner Bros.)

Quando Gal Gadot foi escolhida para interpretar a Mulher Maravilha nos cinemas, uma aura de desconfiança pairou sob a atriz. Ela chegou no Universo Cinematográfico da DC devagar, conquistando seu espaço – sua primeira aparição foi em Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (2016) – para dar uma mãozinha aos dois já consolidados heróis da editora americana. E foi quando ela surgiu nas telas que arrancou gritos do público e a confiança de que ela poderia ser a Amazona que todos queriam ver personificada nas telonas. Patty Jenkins já havia assumido o compromisso de dirigir os passos de Gadot como a heroína, mostrando a força da personagem diante de discussões de representatividade até então marginalizadas no cinema e nos quadrinhos.

Mulher Maravilha é uma história de origem e o roteiro de Allan Heinberg teve um papel fundamental no funcionamento do longa de Patty Jenkins. O surgimento da amazona estava ali, todo catalogado nos quadrinhos da DC, mas como transportar esta história para as telonas?

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Diana surge nas telas ainda criança, e cresce com a sede de se tornar uma justiceira. Sob o protecionismo de sua mãe Hipólita, ela é proibida de seguir em frente com essa ideia sob a justificativa dos perigos do passado que podem voltar a surgir no futuro. A partir daí, Hipólita resolve contar um pouco da origem das Amazonas para Diana no melhor estilo “era uma vez” – um recurso que poderia até ser clichê não fosse a maneira como a guerra entre Ares e as Amazonas foi mostrada, utilizando de imagens que relembram pinturas clássicas para representar os personagens da história.

Gal Gadot como a Mulher Maravilha (Reprodução/Warner Bros.)
Gal Gadot como a Mulher Maravilha (Reprodução/Warner Bros.)

A chegada de Diana à Londres desencadeia a descoberta não só de seus novos poderes, mas de pessoas e de um novo mundo até então desconhecido pela princesa de Themyscira, cheio de conflitos e em plena Primeira Guerra Mundial. A jornada da heroína ao lado de Steve Trevor e seus parceiros peculiares em busca de Ares – o Deus da Guerra – e da Doutora Veneno nos revela uma trama que vai além da origem de uma personagem e de sua luta repleta de ação com um vilão que tenta convencê-la de suas motivações.

Primeiramente, a Mulher Maravilha é uma super-heroína inserida num contexto feminista desde sua origem nos quadrinhos, há 75 anos. As amazonas, conforme a própria história conta, surgiram por vontade de Zeus para trazer a paz e espalhar o amor entre os homens. Corrompidos por Ares, eles as escravizaram e precisou que elas se rebelassem para verem-se livres; derrotaram o Deus da Guerra e ganharam de presente a Ilha Paraíso, habitada apenas pelas Amazonas onde se escondem da ação destrutiva dos homens.

Jenkins e Heinberg fazem a ponte entre a história das ancestrais da Mulher Maravilha com as mulheres da época da Primeira Guerra Mundial – estas que não são muito diferentes das situações que as mulheres de hoje passam. A crítica ao machismo é dura e o roteiro deixa claro a sua vontade de conscientizar que as mulheres podem ser independentes e não se devem colocar às margens dos homens; fica implícito no discurso de Diana com a secretária faz tudo de Steve Trevor e quando a princesa põe-se em risco e assume às rédeas da guerra em prol do povo, principalmente os inocentes, as mulheres e as crianças. Nos momentos finais, quando Diana finalmente se depara com Ares, o vilão tenta a convencer da parcela de culpa da Doutora Veneno, tomando o Deus da Guerra a representação da sociedade e sua cultura de imposição que tenta colocar a vítima contra outra vítima (neste caso, a mulher contra a mulher, quando na verdade o vilão é outro).

E não só de feminismo vive Mulher Maravilha. Ainda que discretamente, há um pouco de representatividade negra no filme, como mostra no primeiro ato uma Themyscira com amazonas negras. Ainda que seja uma presença discreta, é algo a se comemorar já que não é comum essa representatividade nas histórias da heroína desde sua criação; quando vimos uma amazona negra nas tramas da DC, ela teve suas vezes de heroína e vilã, colocada frente a frente da Diana para enfrentá-la em busca do título de Mulher Maravilha. Além disso, o filme de Patty Jenkins discretamente cutuca Hollywood, quando na fala de um dos personagens, critica a falta de espaço para pessoas de outras etnias (não-americanos) atuarem nas produções cinematográficas.

Gal Gadot e Chris Pine como Diana Prince e Steve Trevor (Reprodução/Warner Bros.)
Gal Gadot e Chris Pine como Diana Prince e Steve Trevor (Reprodução/Warner Bros.)

Mulher-Maravilha também capricha na pós-produção, com um tratamento de imagem sem exageros. O excesso de CGI no ato final justifica-se com a trama, sendo necessário para compor as cenas. A trilha sonora bem sincronizada com momentos chaves da trama provoca um forte apelo emocional, principalmente naqueles que são grandes fãs da Princesa de Themyscira.

De fato, Patty Jenkins conseguiu fazer de Mulher Maravilha mais do que um filme de super-herói. A escolha de Gal Gadot no papel de Diana mostra-se novamente como acertada e sua química com Chris Pine na pele de Steve Trevor funciona mais do que se podia imaginar vendo apenas os materiais promocionais lançados antes da exibição do filme. Mulher Maravilha é sem dúvidas um dos melhores filmes de super-herói do ano, carregado de representatividade e mensagens à sociedade e representa com vigor a essência de Diana Prince nas telonas.

Por: Paulo Cavalcante

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