Crítica: Mulher Maravilha

Diana sai de Themyscira para sua primeira jornada para acabar a guerra entre os homens e descobre-se como a Mulher Maravilha neste filme de origem.

Mulher Maravilha (Reprodução/Warner Bros.)
Mulher Maravilha (Reprodução/Warner Bros.)

E a DC deu mais um passo na ambiciosa franquia que pretende reunir os maiores super-heróis dos quadrinhos. A vez agora é só dela: Diana Prince, ou como o mundo a conhece, Mulher Maravilha.

O desafio está longe de ser fácil, afinal Mulher Maravilha não só tenta recuperar o apreço da crítica e do público, que tem Batman v Superman e um Esquadrão Suicida bem fresco na memória, como carrega a missão de ser o primeiro filme de uma super-heroína em mais de dez anos. E por incrível que pareça nem é o mais importante a se falar quando se trata dessa produção.

Aqui quem assume a tarefa é Patty Jenkins (Monster – Desejo Assassino), a primeira mulher a dirigir um filme orçado em mais de US$ 100 milhões, um marco importante na luta pela igualdade de gênero em Hollywood que caminha a passos lentos há décadas, e que põe em alerta os grandes estúdios para a maneira como se deve pensar a indústria daqui para frente.

Em meio a tudo isso, Mulher Maravilha então cumpre bem seu papel de filme de super-herói, mas não vai muito além. O roteiro de Allan Heinberg a princípio coloca Diana (Gal Gadot) num período pós BvS, resgatando a foto em que aparece no cenário da Primeira Guerra, para logo seguir pelas origens da personagem: da infância, quando ela almejava ser uma guerreira tal qual as mulheres do seu povo, até o seu envolvimento na grande guerra. É a típica volta à origem, que tem direito a fórmulas batidas como uma enxurrada de exposição de toda a mitologia da Mulher Maravilha disfarçada de “vou lhe contar uma história, criança!” até às elipses que mostram o treinamento de Diana para enfim se tornar uma amazona.

O primeiro ato do filme segue, sem se preocupar, a cartilha da jornada do herói, emendando todos os dramas concebíveis já vistos incontáveis vezes, até Diana finalmente partir da ilha de Themyscira – belíssima locação, por sinal – para a sua primeira aventura em nosso mundo. E aí que o longa melhora consideravelmente.

A dinâmica que se estabelece entre Diana e o espião militar Steve Trevor (Chris Pine) dá ao filme uma inesperada leveza que nenhum capítulo da nova safra da DC conseguiu. A relação dos dois personagens é bem construída e balanceada durante as quase duas horas e meia, sem que as atenções caiam sobre ele, como poderia se esperar. Há uma organicidade nos momentos cômicos, garantidos pela inadaptação de Diana na sociedade ou pelas piadas sutis que reforçam que estamos diante de uma mulher, protagonista e super-heroína, rodeada por homens.

Mas verdade seja dita, Mulher-Maravilha não se preocupa em levantar bandeiras. Mesmo sendo um grande marco numa época onde os debates estão a todo pavor, parece ser mais confortável para Heimberg e principalmente para o estúdio agradar ao público geral, sem alfinetar ninguém, nem pôr os dedos nas feridas. Uma decisão curiosa, mas não surpreendente. Em meio a isso, é um alívio perceber que Patty Jenkins, ao contrário de Zack Snyder, não precisou apelar para planos que sexualizam o corpo de Gal Gadot para destacar a beleza inquestionável de Diana. Até mesmo a roupa da Mulher Maravilha, que além de bonita e uma homenagem ao original, é justificado a partir dos trajes das outras amazonas.

Vale destacar as cores do filme, que são fruto dos trabalhos dos figurinos de Lindy Hemming (O Cavaleiro das Trevas) e da fotografia de Matthew Jensen (Quarteto Fantástico), que se no BvS mostravam a Mulher Maravilha em cores sombrias, neste assume as cores clássicas da heroína. Até mesmo a Inglaterra da Primeira Guerra é mostrada mais clara do que o habitual nos filmes de guerra e os de heróis da DC.

Patty Jenkins opta por dirigir as cenas de ação – as melhores mostradas nos primeiros trailers do filme – da mesma maneira que Zack Snyder em 300, fazendo o uso da câmera lenta no meio da ação e voltando à velocidade normal no fim, e se funciona nas primeiras vezes, afinal torna as lutas compreensíveis e belas, na vigésima não conquista o mesmo efeito.

Mulher Maravilha volta a derrapar à medida que se aproxima do terceiro ato e as cenas de ação interessantes já passaram. No clímax não há mais nada que impressionar. É vilão de armadura contando seu plano, dando chance para a rendição da heroína, lançando objetos com o poder da mente, colocando fogo no cenário, e para piorar o CGI pesa como nunca antes e a sensação de que estamos assistindo a um gameplay prevalece durante toda a sequência.

Longe da bagunça dos filmes anteriores do Universo Estendido da DC, Mulher Maravilha é um suspiro de alívio para todos, mas que se contenta em ser apenas mais um bom filme de super-herói. Não fica realmente impresso por sua qualidade, e sim pelo significado que possui no contexto em que chega às salas de cinema.

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