Ao Cair da Noite (Reprodução/A24)
Ao Cair da Noite (Reprodução/A24)

Diga adeus ao terror farofa, com histórias rasas e repleto de cenas feitas para dar susto, com vilões bobões que sempre são descobertos no final. Nos últimos anos, o cinema Hollywoodiano vem recebendo uma descarga de filmes de horror com tramas densas, que deixam os jump scares de lado para tratar tudo com mais detalhismo ao mesmo tempo em que faz o público pensar no que fica nas entrelinhas. Foi assim em 2016 com “A Bruxa”, premiada produção distribuída em território americano pela A24 que retoma o gênero com Ao Cair da Noite.

O cenário é uma casa com aparência de abandonada que abriga uma família que faz de tudo para não se contaminar com um vírus que está se espalhando pela cidade. O roteiro de Trey Edward Shults – que também comanda a direção – põe de cara o espectador em dúvida sobre a identidade do vilão; seria ele um organismo? Ou uma forma abstrata? As respostas vem à medida que a trama se desenvolve em meio a realidade e a paranoia dos personagens.

Num dos papéis principais, Joel Edgerton (“Em Busca da Justiça”) carrega bem seu personagem como o patriarca da família, embora o destaque seja de Kelvin Harrison Jr. na pele de Travis, cuja trama se encontra com seus pesadelos. Carmen Ejogo segue com atuações coadjuvantes de pouco destaque – como aconteceu em “Alien: Covenant” – e Christopher Abbott parece mostrar uma interpretação em curva ascendente ao longo do filme.

O capricho técnico de Ao Cair da Noite surge como um de seus pontos positivos. A direção de arte dá ao espectador uma visão ampla da casa que é locação de grande parte do filme ao mesmo tempo que passa a sensação claustrofóbica daquele lugar; aliado a isto, a trilha sonora surge do silêncio misterioso da trama, dando o tom sombrio que se intensifica quando a história se aproxima do clímax.

Ao Cair da Noite não é para os fãs do gênero do formato saturado que entrega os mistérios de mãos beijadas para o espectador, mas é um presente do estúdio A24 para aqueles que apreciam histórias misteriosas, que aguçam os sentidos e fazem pensar. Metaforizando com a cenografia do longa, temos aqui mais do que uma porta vermelha que esconde os perigos do lado de fora; é uma trama onde realidade e ficção se misturam traduzindo-se nas dores da perda e na luta pela preservação.

Por: Paulo Cavalcante

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