Crítica: A Múmia (2017)

Estrelado por Tom Cruise, A Múmia pouco se relaciona com o longa de 1999 e tem a missão de introduzir nos cinemas o Dark Universe da Universal Pictures.

A Múmia (Reprodução/Universal Pictures)
A Múmia (Reprodução/Universal Pictures)

Com o sucesso das franquias no cinema e criações de universos próprios – como tem feito a a Warner com a DC e a Disney com a Marvel Studios – a Universal Pictures não exitou em também criar o seu próprio universo. A Múmia (2017) é o pontapé inicial do estúdio para o Dark Universe, que promete refilmar grandes histórias de monstros do cinema se passando nos tempos atuais. A dúvida que fica depois de assistir o longa estrelado por Tom Cruise é se este universo terá fôlego em suas sequências e se terá tanta relevância como os outros universos cinematográficos já existentes.

O que vimos neste novo A Múmia pouco tem relação com a franquia de sucesso iniciada em 1999 e protagonizada por Brendan Fraser. Maior parte do longa se passa nos dias atuais, mas voltamos ao passado para conhecer Ahmanet, uma princesa do antigo Egito que faz um pacto com Set – o Deus da Morte – para subir ao trono que teria herdado se não tivesse ganhado um irmão. Ela assassina seu pai e o bebê e quando está prestes a selar o pacto que lhe daria o trono, acaba aprisionada e mumificada viva pelo crime que cometeu.

É aí que chegamos aos dias atuais e conhecemos Nick Morton (Tom Cruise), um militar que faz as vezes de contrabandista de relíquias e que, por causa de suas investidas clandestinas, vive se metendo em enrascadas. Após descobrir o sarcófago de Ahmanet, ele acaba provocando a sua libertação e é amaldiçoado pela múmia.

A Múmia garante ação do início ao fim, marca registrada dos últimos longas protagonizados por Tom Cruise, o que se tornou uma marca para o ator que passa da casa dos 50 anos com muito vigor físico. Há uma tentativa de mesclar a ação com o terror, mas o que se consegue apenas são alguns jump scares, pequenos sustos provocados por uma trilha intensa ou proveniente de um suspense sob algo que não podemos ver (mas prevemos que vai acontecer).

Sofia Boutella na pele de Ahmanet faz um ótimo trabalho, cuja personagem tem seu ápice nos dois primeiros atos. No final, seu papel de antagonista perde relevância ao competir com ascensão do protagonista, a tentativa de introduzir e explicar o Dark Universe e a minimização do seu poder, que fica por conta de acordar algumas múmias para ajudá-la a capturar Morton. A trilha sonora elogiável faz um bom casamento com os efeitos especiais, criando a ambientação que o filme pede pra cada momento do enredo. Em se tratando dos personagens títulos – as múmias – fica a ideia de que precisava de um melhor trabalho de caracterização; em alguns momentos fica a dúvida se estamos vendo múmias ou zumbis no estilo “The Walking Dead” ou “A Noite dos Mortos Vivos”.

E falando no Dark Universe, precisa de muito feijão com arroz para mostrar a que veio. Este novo universo é apresentado com a chegada do Dr. Henry Jekyll (Russel Crowe), resgatado do clássico “O Médico e o Monstro” (1941), que tem como missão combater os monstros que venham a surgir no mundo. As pistas entregues são poucas, mas é possível ter uma pequena noção de que outras criaturas estão por vir através do equipado mas ao mesmo tempo improvisado laboratório da iniciação Prodigium. O final de A Múmia não deixa pontas soltas e conclui sua missão de entreter trazendo uma aventura de caçada sobre a mitologia das múmias, mas claramente tenta deixar nas entrelinhas que há muito mais a ser mostrado nas sequências, deixando um pouco de esperança que a expansão deste universo aconteça e mostre realmente a que veio.

Por: Paulo Cavalcante

1 COMENTÁRIO

  1. Que texto espetacular! Já entrei no seu blog outras vezes,
    mas essa é a primeira vez que deixo um comentário. Inseri teu blog
    nos favoritos para eu não perder nenhuma atualização.
    Nos falamos em breve, abraço!

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui