Crítica: Dunkirk

Com uma produção tocante e imersiva, Christopher Nolan faz de Dunkirk a prova de que a experiência de ver filme no cinema nunca morrerá.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Dunkirk (Reprodução/Warner Bros.)
Dunkirk (Reprodução/Warner Bros.)

Esqueça o sangue, corpos mutilados e o drama pessoal de uma figura protagonista. A fórmula repetitiva dos filmes de guerra foi deixada de lado em Dunkirk, mais uma produção ousada do cineasta Christopher Nolan (“Interestelar”, “A Origem”) que aposta numa grande e bem executada experiência de imersão em toda a composição do longa metragem.

Dunkirk retrata a evacuação dos soldados britânicos e aliados da costa de Dunquerque, que estava quase que completamente encurralada pelo cerco nazista. A história é retratada por Nolan, que também escreveu o roteiro, através de três percepções – por terra, céu e mar.

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Embora cada uma dessas visões da Operação Dínamo – como foi historicamente chamada a fuga de Dunquerque – seja contada através das ações de um ou alguns personagens, é difícil afirmar que há ali protagonistas. Além disso, não há uma trama bem definida, mas sim o sentimento que se quer passar ao espectador: a experiência de vivenciar as agruras da guerra e a influência desse evento nos soldados e civis.

Militares aguardam resgate na praia (Reprodução/Warner Bros.)
Militares aguardam resgate na praia (Reprodução/Warner Bros.)

Os eventos que acontecem no céu se dão pela guerra travada entre os aviões de caça britânicos em defesa dos soldados que estão evacuando por mar e dos que ainda estão em terra esperando serem salvos, já que a ameaça dos nazistas não estão só em terra, mas também estão no ar com aviões bombardeiros. Em terra acompanhamos a tensão dos militares tentando se proteger do ataque inimigo e tentando alcançar o socorro; e finalmente por água, acompanhamos civis que são enviados para ajudar no resgate e a turbulenta jornada de volta para casa dos soldados que conseguiram ser resgatados. Mesmo que cada um desses eventos se passem em intervalos de tempo diferentes, Christopher Nolan consegue intercalá-los com fluidez, permitindo que o espectador atento acompanhe a linha do tempo dos acontecimentos ainda que ela seja não-linear.

Dunkirk também carrega uma bagagem técnica cheia de caprichos. E antes de falar sobre determinados pontos, é preciso citar Christopher Nolan explicando sobre como ele convenceu a Warner Bros. Pictures a liberar um orçamento Hollywoodiano para produzir este filme:

“Minha ideia para a Warner foi a seguinte: vamos colocar o público no cockpit de um avião de caça e deixá-los em um combate com os [aviões] Messerschmitt. Vamos colocá-los na praia, sentindo a areia por todos os lugares, lutando com as ondas. Vamos colocá-los em pequenos barcos civis saltando as ondas nessa enorme jornada para uma zona de guerra aterrorizante. Vamos fazer a realidade virtual sem o óculos” – Nolan, em entrevista ao The Telegraph.

Vamos fazer a realidade virtual sem o óculos. Esta última frase do cineasta define a experiência de assistir a este filme. A fotografia captada por câmeras rodando películas em 70mm aliadas a perfeccionista direção de Nolan faz o espectador sentir-se parte daquele cenário. Some a esta experiência a mixagem de som, com trilhas bem organizadas e distribuídas pela sala de cinema, os efeitos sonoros e a qualidade da captação de som que tornam tudo mais real e a trilha sonora composta pelo fantástico Hans Zimmer, que é responsável por definir o tom de cada momento do longa.

Num verdadeiro frenesi de emoções, Dunkirk traz uma experiência de imersão dificilmente vista no cinema, mostrando a verdadeira face da guerra, a luta pela sobrevivência e a linha tênue entre a moral, a covardia e a busca pela sobrevivência. É um espetáculo cinematográfico entregue ao espectador para ser visto nas melhores salas.

Por: Paulo Cavalcante

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