Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Reprodução/Sony Pictures)
Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Reprodução/Sony Pictures)

Ser um dos super-heróis mais amados dos quadrinhos traz uma grande responsabilidade para as adaptações cinematográficas do Homem-Aranha. Seus dois primeiros filmes dirigidos por Sam Raimi em 2002 e 2004 são bastante elogiados, mas perdeu a linha no encerramento da trilogia. De volta em em 2012 com um reboot comandado pelo cineasta Mark Webb, o novo herói interpretado por Andrew Garfield não agradou, retornando para só mais um filme em 2014. Três anos depois, chegou a hora do aracnídeo retornar para os cinemas, agora sob a guarda compartilhada da Sony Pictures com a Marvel Studios – e sendo o primeiro do herói sendo produzido com o envolvimento da Marvel, a expectativa é enorme.

Esqueça a morte do Tio Ben vista nas duas sagas anteriores. Homem-Aranha: De Volta ao Lar resolveu fazer diferente e inicia mostrando as motivações e os artifícios utilizados pelo personagem de Michael Keaton para se tornar o vilão Abutre. O filme segue como uma retomada da apresentação do cabeça-de-teia iniciada em Capitão América: Guerra Civil, com uma forcinha da presença do Tony Stark.

Mais do que um integrante da equipe dos Vingadores, Peter Parker precisa provar para si a sua capacidade para adotar o posto de super-herói ao mesmo tempo em que tem de lidar com os problemas que estão debaixo do seu nariz – tanto os pessoais quanto os que se desenrolam a sua volta. E é nesse ponto que todo o filme se desenvolve fazendo jus ao título do Homem-Aranha de “amigo da vizinhança”.

Aplaudido pelos fãs já em “Capitão América: Guerra Civil”, Tom Holland talvez tenha entregue um dos melhores Homem-Aranha dos cinemas. A atuação do garoto junto com a direção de Jon Watts reflete nas telonas o pilar de sustentação do herói nas HQs – vemos os dramas do Peter Parker se sobressair frente às batalhas colossais esperadas em filmes do gênero, e isso não estraga o clímax da trama; pelo contrário, o torna mais grandioso e por que não dizer “heroico”. Holland consegue acompanhar bem o desenvolvimento do personagem, que certamente não precisaria de uma forcinha do Tony Stark/Homem de Ferro para crescer e se firmar como um Vingador.

Jon Favreau, Robert Downey Jr. e Tom Holland em cena de "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (Reprodução/Sony Pictures)
Jon Favreau, Robert Downey Jr. e Tom Holland em cena de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (Reprodução/Sony Pictures)

Falando no Homem de Ferro, há que se discutir aqui a presença do herói endinheirado no filme do cabeça de teia. As aparições de Tony Stark (Robert Downey Jr.) no longa, ainda que com pouco tempo de tela, roubam sim a atenção de um público mais fervoroso e fanático pelo já estabelecido universo cinematográfico da Marvel. Nada que atrapalhe a narrativa – inclusive tê-lo no filme acabou sendo fundamental – mas um roteiro mais trabalhado e a coragem para arriscar poderiam ser capazes de fazer uma trama em que o Homem-Aranha estivesse 100% do enredo em primeiro plano, sem ponto de fuga por parte do espectador.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar nas mãos da Marvel é um poço de fan service. Desde a abertura com a música do seriado clássico do herói aracnídeo passando pelas animações dos desenhos à mão do Peter Parker, a trilha sonora, a presença de Stan Lee, a conexão com os outros filmes da Marvel e uma referência ao primeiro longa do aranha de Sam Raimi, vemos um longa que usa e abusa da memória e da expectativa dos fãs para suprir o contraste com as adaptações que o diferenciam dos quadrinhos. É um exagero que se torna agradável pelo saudosismo que a produção entrega.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é o ensaio de um retorno triunfal do alter-ego do Peter Parker para as telonas, chegando com a grande responsabilidade de atrair o público perdido desde “Homem-Aranha 3” (2007) de volta para a franquia e prepará-los para ver o cabeça de teia dando (brevemente) início à nova fase da Marvel nos cinemas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here