Crítica: Mark Felt – O Homem Que Derrubou a Casa Branca

O escândalo de Watergate que levou a renúncia do presidente americano Richard Nixon nos anos 70 é contada seguindo os passos do agente do FBI Mark Felt.

Mark Felt - O Homem que Derrubou a Casa Branca (Divulgação/Diamond Films)
Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca (Divulgação/Diamond Films)

Um dos maiores desafios do cinema é reconstituir tramas já contadas e com aprovação do público. Em “Todos os Homens do Presidente” (1976), o cineasta Alan J. Pakula contou a história do caso Watergate, que levou o presidente Richard Nixon a renunciar o cargo em 1974, sob a ótica dos jornalistas do Washington Post que coletavam e vazavam as informações no jornal. Agora, o diretor Peter Landesman – que também assume o roteiro – aposta em recontar a história em Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca, desta vez da perspectiva  do personagem título do filme.

O longa detalha os passos do agente do FBI que ficou conhecido como Garganta Profunda (“Deep Throat”) no caso Watergate, nos EUA da década de 70. Liam Neeson, saído dos filmes de ação – empreitada que, declaradamente, não pretende mais repetir – assume o papel do protagonista, um agente tão honesto e comprometido com os ideais da agência federal que causa medo naqueles que tendem a sair da linha. A verdade é que ao perceber esquemas de corrupção nos bastidores do poder, Mark Felt resolveu ir contra os seus princípios por uma boa causa – vazou informações sigilosas para Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do Washington Post que publicavam as informações em primeira mão e colocavam o governo de Nixon em cheque.

Embora Landesman tenha tentado trazer novos ares para uma trama já retratada nas telonas na década de 70, o que se vê em “Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca” é uma tentativa mal sucedida de reproduzir a essência aclamada de House of Cards. O jogo político é apresentado através de um roteiro engessado, com atuações limitadas de um elenco não muito conhecido, a não ser pelos nomes de Liam Neeson (“A Lista de Schindler”, “Busca Implacável”) e Michael C. Hall (“Dexter”, “A Sete Palmos”), que mostram-se impossibilitados de aproveitar 100% de seu talento e Diane Lane, que surge em poucas cenas numa atuação contida como escape emocional, quebrando o tom político e investigativo da trama. Como esposa de Mark Felt, Lane emociona mais na pele de Martha Kent, a mãe do Superman nos filmes recentes da DC.

Há de se elogiar a fidelidade do roteiro aos fatos históricos, apresentados sequencialmente e de maneira compreensível. Porém, a falta de elementos de tensão tornam o filme monótono; sem nenhuma cena de ação ou que saia da zona da troca de diálogos entre os personagens, a produção se torna massante antes mesmo da primeira meia hora, voltando a prender a atenção quando o cerco começa a se fechar, lá pelo terceiro e último ato.

 

Com suas falhas, Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca surge num momento importante não só da política americana, mas também da brasileira (ainda que numa ambientação extremamente diferente) e serve para abrir o olho sobre a presença de personas non grata no comando da sociedade.

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