Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome

Longa relata a relação entre Elio e o acadêmico Oliver, que veio ajudar na pesquisa de seu pai, em pleno verão numa paisagem italiana.

Me Chame Pelo Seu Nome (Divulgação/Sony Pictures Classics)
Me Chame Pelo Seu Nome (Divulgação/Sony Pictures Classics)

O diretor italiano Luca Guadagnino esteve presente na premiere do seu mais novo filme Me Chame Pelo Seu Nome (“Call Me By Your Name”) no Cinema Odeon, no Rio de Janeiro, como parte da programação do Festival de Cinema do Rio. Guadagnino veio acompanhado do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, que através da RT Features contribuiu para o financiamento do projeto, realizado ano passado. Durante a apresentação do filme Luca agradeceu a Rodrigo pelo apoio, sem o qual, segundo ele, o mesmo não teria saído do papel, uma vez que ele, o produtor Peter Spears e o aclamado roteirista James Ivory (Maurice, Uma Janela para o Amor) vinham lutando há quase 10 anos e enfrentando várias dificuldades para conseguir produzir o longa.

“Me Chame Pelo Seu Nome”, adaptado do livro homônimo de André Aciman e ambientado no verão de 1983, é estrelado por Timothée Chalamet (Homeland, Interestelar) no papel do jovem ítalo-franco-americano Elio Perlman, e Armie Hammer (A Rede Social, O Agente da U.N.C.L.E) interpretando o misterioso Oliver. Elio, 17 anos, vive com seus pais, Sr. Perlman, vivido por Michael Stuhlbarg (A Forma da Água, Um Homem Sério) e Sra. Perlman, Amira Casar (Pintar Ou Fazer Amor, Além da Ilusão) em uma luxuosa vila no norte da Itália, e passa os dias transcrevendo música clássica, tocando piano, lendo e se divertindo com um grupo de amigos. Sua existência idílica sofre uma reviravolta com a chegada de Oliver, 24, um estudante de doutorado em Filosofia que chega para uma residência de 6 semanas supervisionada pelo seu pai, que é professor.

Guadagnino é mestre na arte de dissecar as raízes e repercussões do desejo, vide os anteriores “Um Sonho de Amor (2009)” e “Um Mergulho no Passado (2015)”, e novamente o diretor não decepciona. Luca considera Me Chame Pelo Seu Nome como o último capítulo de uma trilogia dedicada a ilustrar as diversas formas como o desejo se manifesta nos seres humanos, independente de idade, sexualidade ou nacionalidade. Aqui, Elio se vê encantado com Oliver de tal forma, intelectual e fisicamente, que o seu desejo assume formas inesperadas, e até um pêssego – sim, um pêssego – se torna recipiente das suas experimentações. E experimentar é a palavra-chave desse romance: Elio, hormônios em fúria, sente-se atraído tanto por Oliver quanto por Marzia, uma garota local interpretada pela francesa Esther Garrel (O Ciúme, 17 Meninas); assim como Oliver, que apesar de visivelmente atraído por Elio, mantém um breve relacionamento com uma vizinha. A fascinação de um pelo outro é construída sem pressa e delicadamente, através de olhares e silêncios. Quando o diálogo existe, é repleto de significado nas entrelinhas, tudo embalado por uma belíssima trilha sonora de peças clássicas – várias delas tocadas pelo próprio Elio ao piano – e músicas, inéditas e uma versão, de Sufjan Stevens.

Chalamet é uma revelação: uma das melhores, senão a melhor performance do ano, e durante todo o filme ele nos leva pela mão através das descobertas, momentos de êxtase e de sofrimento vividos por Elio, com uma naturalidade hipnotizante. Hammer cai como uma luva na pele de Oliver: confiante, exalando charme e ao mesmo tempo vulnerável e hesitante. Um Adônis com coração de ouro. Guadagnino consegue criar um universo paralelo, onde o tempo passa devagar e as tardes à beira da piscina, passeios de bicicleta sob o sol escaldante, refeições ao ar livre sob a sombra dos pomares parecem infinitas, até que, sem aviso, o verão chega ao fim. Sem grandes dramas ou tragédias, sem gritos, mas silenciosamente – e com muitas lágrimas (tanto graças à atuação de Timothée quanto a um monólogo destruidor de Stuhlbarg), chegamos a conclusão, juntamente com Elio, que a dor pela perda de algo raro e bonito demanda ser sentida, jamais sufocada.

Me Chame Pelo Seu Nome está entre os favoritos da temporada de premiações, com previsão de indicação em várias categorias. O filme estreia no Reino Unido ainda esse mês, nos Estados Unidos com distribuição limitada em 24 de Novembro, e no Brasil em 18 de janeiro pela Sony Pictures.

Por: Evie Diane, do Festival do Rio 2017.

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