Crítica: O Melhor Professor da Minha Vida

Com uma trama sensível e necessária, "O Melhor Professor da Minha Vida" mostra que a realidade da educação francesa não é muito diferente do Brasil.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

O Professor da Minha Vida (Divulgação/Canal+)
O Professor da Minha Vida (Divulgação/Canal+)

A educação é um tema sensível, principalmente quando torna-se através da política um direito marginalizado aos cidadãos. Enquanto a classe alta pode acessar boas escolas, com alto nível de ensino – e nem sempre façam bom uso dessa oportunidade -, os mais desfavorecidos sofrem com o ensino precário, ao lado de alunos desinteressados e professores desestimulados com as más condições de trabalho e baixos salários. Uma realidade que acompanhamos de perto no Brasil mas que acontece também na França de O Melhor Professor da Minha Vida (“Les Grands Esprits”), ainda que numa intensidade menor.

A trama gira em torno de François Foucault (Denis Podalydès, de “Monsieur & Madame Adelman”), um professor da renomada escola parisiense Henri IV. Depois de um mal entendido, ele acaba tendo de assumir o compromisso de lecionar durante um ano numa escola de periferia, com alunos e professores bem diferentes do que era acostumado a encontrar em seu antigo local de trabalho.

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O cineasta Olivier Ayache-Vidal, que também desenvolve o roteiro, traz para o público uma trama lapidada em compromisso, humanidade e esperança. François se mostra um professor completamente compromissado com sua profissão, mas adota métodos extremamente severos e algumas vezes, constrangedores. Ao se deparar com alunos diferentes, que “tocam o terror” na sala de aula, ele precisou rever seus métodos para alcançar com sucesso seu objetivo de levar educação de qualidade para os menos favorecidos. Para que isso acontecesse, ele precisou de uma mãozinha – o rebelde Seydou, com uma interpretação incrível do jovem Abdoulaye Diallo, que surge para mostrar através da sua vida a realidade dos seus colegas de escola e da irmã de François, que o questiona o quanto a sua metodologia é interessante e estimula os alunos a quererem aprender.

Há de se destacar principalmente a atuação do Denis Podalydès, que vem de trabalhos como a adaptação cinematográfica “O Código da Vinci”, o drama francês “Chocolate” e mais recentemente a dramédia “Monsieur & Madame Adelman”. O ator, com toda sua experiência, consegue acertar o tom do personagem, que transita do drama ao humor sem perder as feições de seriedade do professor.

A direção de arte capricha ao apresentar o contraste entre as duas escolas – conhecemos uma Henri IV arquitetonicamente antiquada, num ambiente rígido e de dedicação; já a escola de periferia é revelada numa estrutura moderna mas ao mesmo tempo desleixada, seja pelo caos causado pelos alunos rebeldes, seja pelos professores desestimulados pela falta de interesse pelos alunos mas que ao mesmo tempo não movem um dedo para mudar esta situação. A trilha sonora deixa a trama ainda mais envolvente, como quando ouvimos “Who Knows” do Marion Black tocar no momento mais apropriado entoando:

I pray the lord will help me carry on
Another day
Another day
Just another day

Numa trama realista que muito se assemelha ao que se vive no nosso país, “O Melhor Professor da Minha Vida” é um exemplo de coragem e perseverança que discute o tema com sensibilidade, comovendo o espectador, ainda mais se for um professor diante da tela.

Por: Paulo Cavalcante

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