Crítica: Liga da Justiça

Ao reunir grandes heróis da editora de quadrinhos nas telonas, Liga da Justiça estabelece um novo e desejado momento no universo cinematográfico da DC.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Liga da Justiça reunida em nova imagem promocional do longa da DC (Divulgação/Warner Bros.)

Estaria a DC pronta para reunir os seus principais heróis num só filme, com um universo cinematográfico com um histórico de altos e baixos? Foi a pergunta que martelou a cabeça dos cinéfilos desde o anúncio do filme da Liga da Justiça e cuja dúvida chega ao fim com o seu lançamento nos cinemas.

Liga da Justiça dá continuidade a “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” (2016), com a morte do Superman e uma nação dividida com a falta do alienígena que protegia a América. Embora o Batman estivesse ali para cumprir o seu trabalho na luta contra o crime, o surgimento de criaturas estranhas – os Parademônios – serviram como alerta para o homem-morcego de que algo grandioso e mal estava por vir. Junto com a Diana Prince, a Mulher-Maravilha, Bruce descobre que os Parademônios são servas de um vilão maior – o Lobo da Estepe – que chegou a Terra em busca das caixas maternas, à mando do Darkseid. Para enfrentá-lo, eles vão atrás de outros meta-humanos – o Flash e o Ciborgue, formando assim a Liga da Justiça.

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Os heróis da DC estão no filme apresentados com fidelidade aos seus personagens dos quadrinhos. O Batman interpretado por Ben Affleck tem um tom mais suavizado, deixando por vezes o lado sombrio e investindo no sarcasmo em algumas situações. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot surge nas telonas tão poderosa quanto em seu filme solo, e agora liderando o grupo de heróis. Já Ezra Miller surge com um Flash mediano, mas encontra o tom à medida que o seu personagem vai se desenvolvendo – o resultado é um velocista com uma veia cômica tal como nas HQs que equilibra os momentos engraçados com seus dramas pessoais.

Flash (Divulgação/Warner Bros.)

E por falar em dramas pessoais, o Ciborgue (Ray Fisher) surge tão bem quanto o Flash, tendo também os seus dramas pessoais sendo explorados e focando na forma como o Victor Stone irá lidar com seu novo corpo robótico após o acidente que o fez perder grande parte de seu corpo humano.

O Aquaman talvez seja o mais fraco dos heróis da Liga. Embora as características do Arthur Curry estejam ali e ele também tenha rendido momentos engraçados com o Batman, o herói se perde na atuação do Jason Momoa, que parece atuar da mesma forma que seus trabalhos anteriores.

Aquaman (Divulgação/Warner Bros.)
Aquaman (Divulgação/Warner Bros.)

O filme é um banho de referência para os fãs mais saudosos e leitores das histórias em quadrinhos da DC, que conhecem os personagens mais a fundo. Aliado a isso, uma sutil referência a “Batman vs. Superman” pega de surpresa até os mais desavisados. O principal de cada personagem está ali e a essência de um grande personagem da Liga faz desse filme um dos mais fiéis aos heróis que conhecemos das revistas desenhadas.

Como sequência direta de “Batman vs. Superman”, Liga da Justiça tem como clímax um dos momentos mais esperados pelo filme anterior do universo DC dirigido por Zack Snyder. O vilão, no entanto, acabou ficando de lado e retorna no final para o desfecho da trama. E sim, precisamos falar do Lobo da Estepe – um dos grandes erros do filme.

Lobo da Estepe (Divulgação/Warner Bros.)

Dentro da trama, o Lobo da Estepe cumpre seu papel como vilão, mas a construção técnica do personagem nas telonas deixou um um gosto meio duvidoso quanto à produção do longa. Para ser mais direto – curto e grosso – o que vemos na telona é um vilão basicamente construído em CGI, mas um CGI bem mal trabalhado, que muito lembra a um personagem de jogo de video game. Lamentável ainda quando sabemos que havia um ator por trás do Lobo da Estepe, o Ciarán Hinds (“Harry Potter e as Relíquias da Morte”), cuja atuação se perdeu completamente não só no vilão feito em computador mas também na voz modificada, não sobrando nada que fizesse referência ao seu trabalho no filme.

Logo após entrar em pós-produção, Zack Snyder teve de abandonar a direção do filme (sua filha se suicidou e ele precisou se afastar para cuidar da família). Entrou em seu lugar Joss Whedon, que já havia trabalhado com super-heróis na Marvel em “Vingadores” (2012). A chegada de Whedon teve forte influência no corte final do filme. Cenas foram regravadas e ao assistir ao filme, muito se percebe a diferença entre o que foi feito por Snyder e o que foi ideia de Whedon (que também foi responsável pelo roteiro ao lado de Chris Terrio) – a diminuição do tom sombrio e a inserção da pegada cômica do filme, que funciona bem e surge fluidamente no roteiro, bem como a fotografia preferencialmente mais clara ao invés dos tons escuros característicos de Snyder são exemplos da influência do criador da série “Buffy, A Caça Vampiros” em Liga da Justiça.

Mulher-Maravilha (Divulgação/Warner Bros.)
Mulher-Maravilha (Divulgação/Warner Bros.)

Há de se destacar também o corte realizado no filme. Enquanto o Snyder fez um trabalho de quase três horas de duração, à pedido da Warner, o longa foi enxugado para pouco menos de duas horas de tela. Tantos cortes certamente afetaram a edição e a montagem, resultando num começo “picotado”, com cenas um tanto desconexas embora essenciais para a evolução da trama. Passados os primeiros minutos de filme, as cenas fluem e vemos uma produção que encontra seu ritmo até um desfecho memorável.

Independente dos erros e acertos, Liga da Justiça funciona a todo o momento, seja reunindo nas telonas os maiores heróis da DC – e com a esperança (e o gostinho deixado em um easter egg) de que a equipe cresça futuramente – com um elenco que apresentou uma química fantástica e trabalhou bem juntos, seja no estabelecimento de um novo momento para o universo DC nos cinemas. Ao fim do filme, fica aquele desejo por mais momentos juntos com o Batman, a Mulher-Maravilha, o Ciborgue, o Flash… e por mais da DC nos cinemas, principalmente se você fica para as duas cenas pós-créditos – uma aula de como fazer cenas significativas e que não te fazem perder tempo esperando o letreiro com a extensa equipe de produção e pós-produção subir no telão.

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