Crítica: Uma Razão Para Viver

Além do incrível talento como ator, Andy Serkis demonstra que também sabe o que faz por trás das câmeras com "Uma Razão Para Viver".

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Uma Razão Para Viver (Divulgação/Diamond Films)
Uma Razão Para Viver (Divulgação/Diamond Films)

Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos) é mundialmente reconhecido por seu incrível talento como ator, e com Uma Razão Para Viver (“Breathe”) ele demonstra que também sabe o que faz por trás das câmeras. O drama biográfico tem Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”, “A Rede Social”) e Claire Foy (“The Crown”) nos papéis de Robin e Diana Cavendish, um jovem casal britânico que tinha uma vida perfeita: aventureiros (Serkis utiliza belos planos abertos da savana africana), apaixonados e à espera do primeiro filho, até Robin ser diagnosticado com poliomielite e perder todos os movimentos do pescoço para baixo, a fala e a capacidade de respirar sem o auxílio de um respirador artificial. Preso a uma cama e com expectativa de vida de apenas mais alguns meses, Robin entra em depressão profunda, recusando-se a receber a esposa e o filho recém-nascido e deixando claro que prefere morrer a viver na sua situação atual.

O primeiro ato do longa é semelhante a diversos outros títulos, biográficos e de ficção, com personagens que vêem sua vida mudar completamente em razão de uma doença incurável (“A Teoria de Tudo”). Diana, contudo, está disposta a convencer o marido que ele precisa continuar vivendo (Foy está convincente no papel de esposa forte e dedicada). Contra os conselhos médicos, Robin é transferido do hospital, onde os pacientes com mobilidade severamente reduzida permaneciam até o fim da vida (o drama se passa no fim dos anos 50), e passa a receber o tratamento necessário em casa, cercado da família e dos amigos. Apesar de alguns percalços iniciais, a condição de Robin melhora. Uma condição melhor, sim, mas nem de longe próxima ao que ele estava acostumado antes da doença atacar. É a partir desse desejo, que com a ajuda do amigo Teddy Hall (Hugh Bonneville) é desenvolvido um protótipo de cadeiras de rodas com respirador acoplado, para que ele possa, mesmo paralisado, voltar a ter uma vida social. A partir desse momento testemunhamos um real renascimento do personagem.

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O drama foi co-produzido por Jonathan Cavendish, filho do casal, e fica clara a intenção não só de homenagear o pai, mas também de humanizar os pacientes com deficiências severas (em uma cena particularmente forte, Robin visita um centro de tratamento na Alemanha, reconhecido por seu tratamento de ponta, e, assim como ele, ficamos horrorizados com a imagem de seres humanos em câmaras de metal hermeticamente seladas, trancados em uma sala e alheios ao resto do mundo).

Os Cavendish partem em uma cruzada para garantir que, assim como Robin, outros pacientes tenham acesso ao protótipo e recebam, ao menos em parte, suas vidas de volta. Garfield emociona no papel de um homem a princípio desenganado, que busca e ao mesmo tempo teme a morte, que reaprende a viver e deixa seu legado para futuras gerações.

Uma Razão Para Viver estreia nos cinemas brasileiros em 16 de novembro com distribuição da Diamond Films.

Por: Evie Diane

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