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Janela de Cinema 2017: o luto na infância em ‘Verão 1993’ e o decepcionante ‘Açúcar’

Programação ainda contou com a mostra competitiva de curtas nacionais como o tema "Tomar os Tronos"; Janela de Cinema segue até o próximo domingo (12).

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Exibição de Açúcar, no X Janela Internacional de Cinema do Recife
Exibição de Açúcar, no X Janela Internacional de Cinema do Recife

A 10ª edição do Janela Internacional de Cinema do Recife segue acontecendo no Cinema São Luiz e no Cinema do Museu. A segunda-feira (06) apresentou o novo longa da cineasta espanhola Carla Simón,  Verão 1993 (2017), premiado este ano no Festival de Berlim.

O filme narra, com excepcional delicadeza, um momento marcante na vida da menina Frida (Laia Artigas), tendo recentemente perdido a mãe para a Aids, e tentando se ajustar à uma nova realidade saindo de sua cidade natal, Barcelona, para viver com a família do tio no interior da Catalunha. Com atuação primorosa, frágil e ao mesmo tempo poderosa, a pequena Laia Artigas emociona e diverte no papel de uma garota aprendendo a lidar com o luto (alternando entre a tristeza e a raiva) e a insegurança que o novo ambiente lhe apresenta.

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+ Confira a crítica de “Verão 1993”

A noite foi da première pernambucana de Açúcar (2017), novo longa estrelado por Maeve Jinkings e dirigido por Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. O trio já havia trabalhado junto antes em Amor, Plástico e Barulho (2013), que também fez sua estreia no Janela Internacional de Cinema do Recife, na ocasião em sua sexta edição. No novo longa, Maeve interpreta uma herdeira de um engenho que retorna para o local para reivindicar a posse das terra, parte dela tomada pelo movimento cultural dos trabalhadores.

Enquanto tenta retratar temas relevantes como a negação de origens e os contrapontos hierárquicos resistentes desde o tempo colonial – além de outros pormenores como manifestações culturais e religiosas – o filme fica preso a um roteiro mal desenvolvido e de qualidade duvidosa, exagera nos enquadramentos vazios e peca em outros diversos aspectos técnicos que comprometem a sua execução, como por exemplo, a escolha das locações (a casa escolhida para ser a mansão do engenho é pequena, simples e nada se assemelha às construções da época, algumas que resistem como patrimônio histórico do estado até os dias atuais).

A exibição no Janela Internacional de Cinema seguiu de um debate com os diretores e elenco, que além de Maeve Jinkings incluiu os atores José Maria Alves e Dandara de Morais (“Ventos de Agosto”). A medida que o público fazia perguntas sobre o que haviam acabado de assistir, os cineastas Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira pareciam fugir das perguntas com discursos que não respondiam aos questionamentos, enquanto que os atores pareciam mais eloquentes ao demonstrar sua visão sobre os personagens e sua percepção sobre a trama. José Maria Alves se destacou por esbanjar simpatia – em um de seus discursos, afirmou que mesmo sendo seu segundo filme, só através daquela exibição no Janela conseguiu se ver como um ator completo, arrancando aplausos do público.

Elenco e diretores de Açúcar em debate no X Janela Internacional de Cinema do Recife (Foto: Victor Jucá/Cinemascopio)
Elenco e diretores de Açúcar em debate no X Janela Internacional de Cinema do Recife (Foto: Victor Jucá/Cinemascopio)

O dia ainda contou com a Mostra Competitiva de Curtas Nacionais, com o bloco intitulado “Tomar os Tronos”, com exibição dos títulos: “Peixe” de Jonathas Andrade, “Deus” de Vinícius Silva, um retrato emocionante da relação entre mãe e filho na periferia paulistana, “Travessia” de Safira Moreira, um quase poema sobre fotografia e identidade negra, e “Vando vulgo Vedita” de Leonardo Mouramateus e Andréia Pires.

 

*Colaboraram com este artigo: Paulo Cavalcante e Evie Diane.

 

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