Crítica: Em Busca de Fellini

Lucy é uma mistura de Amélie Poulain e Alice, navegando pela vida e obra do maestro italiano Federico Fellini.

Em Busca de Fellini (Divulgação/Cineart Filmes)
Em Busca de Fellini (Divulgação/Cineart Filmes)

Escrito e produzido por Nancy Cartwright (que dá voz ao lendário personagem Bart Simpson) e baseado na experiência real da própria autora, Em Busca de Fellini narra as aventuras da jovem Nancy (Ksenia Solo) que após entrar por acaso em uma sessão especial dedicada a obra de Fellini, apaixona-se pelo universo criado pelo diretor e se transforma em uma ávida fã.

Lucy vive com a mãe superprotetora Claire (Maria Bello), que criou a filha em uma espécie de bolha de fantasia, protegendo-a do mundo real e dos seus possíveis riscos. O contato mais próximo que Lucy tem da realidade fica por conta da tia, Kerri (Mary Lynn Rajskub), o completo oposto da irmã sonhadora. Porém o mundo perfeito de Lucy desmorona quando a mãe descobre um câncer em estado terminal. Resolvida a não contar à filha sobre a doença e consequentemente suas poucas semanas de vida, Claire começa, com a ajuda da irmã, os preparativos para fingir uma “viagem” sem volta – o que aparentemente aconteceu com o avô de Lucy, seu peixe dourado, seu cachorro… Dessa vez, entretanto, o plano não sai como combinado, e Lucy acaba descobrindo o destino trágico de sua mãe. Com o coração partido, a jovem decide partir para a Itália em busca da única coisa que continua a fazer sentido em sua vida: conhecer Fellini.

Começa então a aventura de uma vida, repleta de sons, cores e personagens burlescos e enigmáticos. O longa, dirigido por Taron Lexton, presta homenagem aos filmes de Federico com inúmeros clips originais costurados em meio a narrativa, sendo a própria Lucy construída como uma das clássicas heroínas dos filmes do diretor: inocente, um pouco atrapalhada, eterna romântica e que vê o mundo através da lente da imaginação. Os vários personagens que a jovem encontra pelo caminho são reflexos do largo espectro humano retratado na obra de Fellini – alguns amáveis e sonhadores, outros violentos e libertinos.

O longa é belíssimo visualmente, capturando as melhores paisagens italianas (mesmo que repleto de clichês culturais), e criando um universo charmoso, embora nada inovador, onde folhas e pétalas esvoaçam no background e a luz é sempre perfeita. Mas não só de Fellini vive Lucy, e suas experiências, mesmo que embaladas pela fantasia, conseguem retratar um quê genuíno de alguém que amadurece anos no curso de algumas semanas, aprendendo lições valiosas sobre o amor, amizade, mentiras, desilusões e até mesmo a morte.

Com aparições de Mariano Aprea no papel do maestro e um cameo da própria Nancy Cartwright, Em Busca de Fellini é um filme feito por “fãs” para fãs, mas que consegue conquistar o público em geral pela sua leveza e honestidade.

Distribuído pela Cineart Filmes, o filme estreia dia 7 de dezembro em todo o Brasil.