Crítica: Fala Sério, Mãe!

Com uma química incrível, Ingrid Guimarães e Larissa Manoela são mãe e filha na adaptação do best-seller de Thalita Rebouças para as telonas.

Fala Sério, Mãe! (Divulgação/Downtown Filmes)
Fala Sério, Mãe! (Divulgação/Downtown Filmes)

Ingrid Guimarães é daquelas atrizes que amam tanto o que fazem que se passam uma temporada sem trabalhar a gente já sente falta. Em cartaz em pelo menos dois filmes por ano no último triênio além dos seus projetos na TV, a atriz há muito tempo traz um frescor para a comédia brasileira, sempre se renovando. Agora ela se junta a Larissa Manoela, uma das jovens mais promissoras desta década na dramaturgia, para dar vida a adaptação cinematográfica de Fala Sério, Mãe!, best-seller da Thalita Rebouças.

A adaptação de “Fala Sério, Mãe!” segue quase fielmente o livro, com algumas mudanças sutis para entregar um melhor resultado para as telonas. O longa se baseia na relação entre mãe e filha, desde os primeiros traços de vida até sua adolescência e como uma lida com a outra diante das adversidades das gerações. Primeiro, acompanhamos o crescimento de Maria de Lourdes (Larissa Manoela) sob a visão de sua mãe, Ângela Cristina (Ingrid Guimarães). Quando a garota atinge a adolescência, a história passa a ser contada sob a percepção da Maria de Lourdes.

A personagem de Ingrid Guimarães, com a força de sua atuação, garante momentos engraçados e de identificação do espectador com suas mães, lembrando muito a sensação de assistir a Dona Hermínia em Minha Mãe É Uma Peça, só que que cada personagem com seu tom. Não por acaso que, em certo momento da trama, nos deparamos com uma participação especial de Paulo Gustavo, o intérprete da Dona Hermínia. Ângela Cristina é por vezes caricata e exagerada, mas expõe muito bem as dores e preocupações de uma mãe. Começar a história sob a visão da mãe faz com que o espectador nutra um sentimento empático com a genitora, suavizando seus embates com a personagem de Larissa Manoela.

A química entre Ingrid e Larissa é surpreendente, fazendo com que o papel de mãe e filha funcione e nos faça preocupar quando a relação está abalada ou compartilhar dos momentos de felicidade das duas. Destaque também para Duda Batista, a atriz mirim que interpreta Maria de Lourdes ainda na infância, com toda sua fofura e um ótimo gatilho para interpretar o texto.

Além do lado cômico, o diretor Pedro Vasconcelos, apostou também num tom dramático que só revela a versatilidade de Ingrid Guimarães à frente das câmeras. Temas com traição e separação são muito bem discutidos e compõe a realidade que Thalita Rebouças tenta compartilhar em seu livro com seus leitores.

Mesmo que essa relação entre mãe e filha que se perpetua por todo o filme traga maior identificação para o público feminino, isso não impede que o público em geral se divirta e se emocione junto com essas meninas. Com estreia programada para o fim de ano nos cinemas, Fala Sério Mãe! é uma boa pedida para curtir as férias em família.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui