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Crítica: Suburbicon – Bem-vindos ao Paraíso

Girando em torno de um família atormentada por bandidos, longa tem mais do humor negro dos irmãos Coen do que a identidade do diretor George Clooney.

Suburbicon - Bem-vindos ao Paraíso (Divulgação/Diamond Films)
Suburbicon – Bem-vindos ao Paraíso (Divulgação/Diamond Films)

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Já não é de hoje que George Clooney resolveu dar a cara a tapa e investir numa carreira além de ator. Ele estreava bem omo cineasta em 2002 com Confissões de Uma Mente Perigosa (“Confessions of a Dangerous Mind”) seguido do indicado ao Oscar Boa Noite e Boa Sorte (“Good Night, and Good Luck.”) em 2005. Depois de deixar a crítica dividida com Caçadores de Obras-Primas (“The Monuments Men”), Clooney arrisca novamente uma volta às telonas com Suburbicon – Bem Vindos ao Paraíso.

Neste novo filme, um roteiro dos irmãos cineastas Joel e Ethan Coen foi repaginado com ideias do próprio Clooney e do ator e produtor Grant Heslov. Suburbicon se passa num bairro onde tudo é aparentemente tranquilo e todos são felizes. Mas a felicidade passa longe da casa de Gardner Lodge (Matt Damon), que envolvido com dois bandidos, vê a sua esposa ser assassinada. Vivendo com sua cunhada e filho, ele ainda terá de se livrar dos criminosos que continuam na sua cola. Paralelamente, uma família de negros – a primeira de um bairro completamente dominado por brancos – chega à Suburbicon e é recebida com hostilidade pela população, chamando inclusive atenção da imprensa.

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Embora tenha como carta na manga um elenco Hollywoodiano com performances brilhantes – Matt Damon sempre cumpre seu papel até mesmo quando o personagem é ruim e Julianne Moore (“Para Sempre Alice”) sendo mais uma vez uma monstra da atuação -, o filme parece ficar em cima do muro quanto ao seu desenvolvimento. Suburbicon é uma dramédia no melhor estilo dos irmãos Coen (consagrados por “Fargo – Uma Comédia de Erros” e “O Grande Lebowski”) e a identidade dos cineastas está completamente ali. Pouco se vê as características do George Clooney cineasta no filme, a não ser a trama paralela que parece ter sido incluída como um artifício de roteiro, servindo como escada para os acontecimentos da trama central.

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A tal trama paralela, se bem utilizada fosse, cairia como uma crítica ao duro momento atual dos americanos num governo hostil e separatista gerido por Donald Trump. Aproveitando o tom de fábula e cheio de exageros que compõem toda a construção do filme, a história (baseada num evento real) do preconceito vivido pelos novos moradores negros de Suburbicon até que se desenvolve bem e é bem intencionada, mas se perde em meio a uma trama central que ganha mais relevância diante das reviravoltas encenadas no terceiro ato.

Da calmaria ao pandemônio, Suburbicon – Bem Vindos ao Paraíso se deixa levar mesmo pela trilha de Alexandre Desplat, criando um clima propício para cada momento do filme, alertando o espectador quando a situação está complicada e principalmente quando tende a ficar pior. O banho de sangue e as revelações que embalam o final do filme fazem valer as quase duas horas à frente da telona e claramente não seriam tão marcantes sem o estilo dos Coen e sem a tensão criada pelo instrumental de Desplat.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
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