Crítica: 120 Batimentos por Minuto

Urgente e necessário, 120 Batimentos por Minuto dá voz à luta diária na prevenção e combate à AIDS; longa conta história real do grupo ativista ACT UP.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

120 Batimentos Por Minuto (Divulgação/Imovision)
120 Batimentos Por Minuto (Divulgação/Imovision)

Depois de ficar conhecido mundialmente com seu primeiro filme Les Revenants (2004) – que deu origem a série de TV francesa homônima vencedora do Emmy Internacional – e o longa LGBT Eastern Boys (2013), Robin Campillo retorna para os cinemas reproduzindo um argumento real sobre o ACT UP, grupo francês que realizou diversos protestos nos anos 1990 em prol de investimentos na prevenção e tratamentos contra a AIDS com 120 Batimentos Por Minuto (“120 Battements par Minute”).

Embora o filme – vencedor de quatro prêmios no festival de Cannes – tenha como pano de fundo as ações do ACT UP, cuja principal característica era chamar atenção dos governantes, empresários e a indústria farmacêutica de forma não-violenta, a narrativa se desenvolve mais sob as vidas pessoais dos membros do grupo ativista, em sua maioria cidadãos infectados pela doença. Esta talvez tenha sido a forma que Campillo, com ajuda de  Philippe Mangeo (um dos membros do verdadeiro ACT UP), tenha encontrado para sensibilizar o público, intercalando a luta diária dos contaminados para sobreviver aos sintomas da doença ao mesmo tempo que lutam para encontrar uma forma de viver bem e além do esperado.

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Nessa dualidade, Campillo desenvolve bem o olhar sobre as motivações da ACT UP, um movimento onde todos têm voz e que, de maneira exemplar, essas vozes são apresentadas ao público de forma que a causa seja compreendida da forma racional, além da sentimental. Desde as reuniões e discussões de pauta aos protestos, tudo é mostrado de forma sensível e da maneira mais crua possível, com movimentos de câmera na mão fazendo das lentes os olhos de quem assiste ao filme. Por outro lado, a excessividade de detalhes chega a comprometer alguns momentos do filme, fazendo com que momentos de extrema comoção percam esse peso por se alongarem bastante – longe de ser uma falha, pois é compreensível que em um filme deste porte se queira dar voz não só à militância, mas também à quem faz parte dela.

Muito além da interpretação vigorosa de Nahuel Perez Biscayart ou da beleza estonteante do Arnaud Valois, dois de seus protagonistas, 120 Batimentos por Minuto é um filme urgente e necessário que põe em pauta uma causa de interesse público, independente de orientação sexual, mas negligenciada seja por interesses capitalistas ou por preconceito. A fala de um dos personagens, “estamos todos mortos e vivos”, nunca faria tanto sentido neste longa em que um grupo desprezado (morto) se mantém visível através da sua luta, da sua voz e por que não, do amor que deixa de lado a timidez e escancara a vida que ainda existe ali.

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2 COMENTÁRIOS

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