Crítica 2 | Me Chame Pelo Seu Nome e as intensas formas de viver o amor

Filme não é um romance sobre o primeiro, segundo ou terceiro amor; é sobre o amor que se vive com intensidade, onde tudo é novo e nada se pode deixar passar.

Me Chame Pelo Seu Nome (Divulgação/Sony Pictures)
Me Chame Pelo Seu Nome (Divulgação/Sony Pictures)

A relação entre amor, liberdade e perda rege a narrativa de Me Chame Pelo Seu Nome (“Call Me By Your Name”), longa do cineasta Luca Guadagnino adaptado do livro homônimo escrito por André Aciman. A beleza do verão italiano e um ambiente familiar multicultural funcionam como cenário da trama de Elio e Oliver, que fazem da temporada mais quente do ano o palco para a vivência de um novo amor.

O filme traz Elio (Timothée Chalamet), membro da família Perlman, que passa mais uma das férias de verão na casa dos seus país em algum lugar da Itália. Todos os anos, a família seleciona um acadêmico para contribuir nas pesquisas do pai de Elio. É aí que chega Oliver (Armie Hammer), um rapaz alguns anos mais velho que irá mexer com a cabeça do filho dos Perlman.

A chegada de Oliver, à primeira vista, parece não chamar tanto a atenção de Elio – o jovem reproduz a boa receptividade dos pais ao estudante. Mas ele parece se sentir incomodado quando sua rotina muda com a presença do visitante. Elio cede seu quarto para o hóspede e passa a dormir no quarto ao lado e vê todas as atenções se voltarem para o recém-chegado. A ideia é manter o inimigo sempre por perto: o anfitrião resolve acompanhar Oliver por suas andanças e isso acaba aproximando os dois.

Entre troca de olhares e conversas, outros sentimentos vão tomando conta de Elio, como o ciúme e o desejo. Ora, essas sensações parecem ser incomuns para uum garoto que até então estava se relacionando com uma moça do vilarejo. Mas Elio não estava preocupado em parar para pensar nisso – apenas seguiu em frente e resolveu viver. Como num jogo, as pistas foram sendo jogadas até que cada um encontrasse a sua presa – eles mesmos. Elio e Oliver embarcam numa relação cientes de cada passo que estão dando, aproveitando ao máximo os momentos juntos, mas talvez não tão preparados para a despedida.

O roteiro de James Ivory desenvolvido através da mente de Luca Guadagnino nos entrega uma trama de amor universal, sobre o despertar de uma paixão nova, diferente e intensa, em que vale vivenciá-la ao máximo sem se preocupar com as dores do rompimento desse sentimento. Timothée Chalamet faz um trabalho triunfal como Elio, personificando o personagem escrito por Aciman nas telonas. Enquanto Armie Hammer entrega toda sua beleza a Oliver, Michael Stuhlbarg guarda o seu talento como ator para uma das cenas finais, num monólogo sensível e edificante do seu personagem com o filho, Elio.

Me Chame Pelo Seu Nome não é um romance sobre o primeiro, segundo ou terceiro amor; é um filme sobre o amor que se vive com intensidade, onde tudo é novo e nada se pode deixar passar. Um pequeno gesto pode ter diversas interpretações, mas um singelo toque pode ser o início de um elo forte a se firmar. Um filme pra ver, rever e se emocionar como se fosse sempre a primeira vez.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui