Crítica: O Touro Ferdinando

Com uma boa mistura de drama e humor para todas as idades, O Touro Ferdinando aproveita para discutir temas oportunos e relevantes com personagens carismáticos.

O Touro Ferdinando (Divulgação/Fox Film)
O Touro Ferdinando (Divulgação/Fox Film)

Depois de se destacar em internacionalmente com as animações da franquia “A Era do Gelo”, o brasileiro Carlos Saldanha retorna às telonas com O Touro Ferdinando (“Ferdinand”), nova animação da produtora Blue Sky. O filme tem feito boa trajetória desde o seu lançamento lá fora, com boa bilheteria no mercado americano e indicações ao Globo de Ouro e Annie Awards (considerado o Oscar da animação).

O Touro Ferdinando é baseado no livro infantil de 1936 de Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson e traz a história de Ferdinando, um bezerro que mora num rancho espanhol onde os melhores touros treinados são vendidos para os eventos de tourada. Diferente dos outros animais, que sonham serem escolhidos para as touradas, Ferdinando cresce e torna-se um touro à mesma maneira que era quando bezerro – sensível, que fica longe de brigas e cultiva uma paixão por flores.

Não é pra menos que O Touro Ferdinando tenha caído nas graças do público. O longa apresenta sua trama com personagens carismáticos e bem construídos, inseridos numa ambientação de brilhar os olhos. As cenas em Madrid, por exemplo, são provenientes de um excelente design de produção, que reproduz fielmente a cidade espanhola com os arquétipos característico da animação.

O roteiro também não deve nada aos elogiados trabalhos de concorrentes (nomeadamente, Disney). Os 108 minutos de filme passam com naturalidade e em nenhum momento mostra-se cansativo. Pelo contrário, O Touro Ferdinando empolga pelo contexto cativante em que o personagem título é inserido, com forte discussão e apoio a diversidade e ao direito de escolha. O debate que o filme propõe é necessário e emergente diante de um público primariamente jovem que cresce em meio às dificuldades de tomada de decisão impostas pelo atual momento em que vivemos.

O Touro Ferdinando faz uma crítica às touradas (Divulgação/Fox Film)
O Touro Ferdinando faz uma crítica às touradas (Divulgação/Fox Film)

Outro ponto importante é a atenção ao tema das touradas e, consequentemente, a violência aos animais. O Touro Ferdinando toca na ferida desta cruel tradição espanhola que permanece viva até hoje. O longa abre os olhos dos adultos e dos jovens sobre a verdade por trás desses eventos e faz uso dos personagens – animais que se expressam com suas vozes e sentimentos – para comover e buscar atenção contra esses eventos.

A animação se preocupa também em falar de família, mais precisamente sobre como a criação e o aporte cultural dos pais podem definir os filhos. No longa, o touro Valente é criado por um pai hostil e acaba crescendo com uma mente fechada e antiquada, proveniente de sua criação. Ainda assim, o filme mostra ainda a redenção do personagem, que num momento de apuros, é salvo por quem até então considerava seu inimigo e acaba abrindo a mente para uma nova visão de mundo, num retrato bem fiel da nossa sociedade.

O Touro Ferdinando chega aos cinemas trazendo uma boa mistura de drama e humor para todas as idades, discutindo temas oportunos e relevantes e com personagens fofos e carismáticos que ficam melhores ainda com o elenco de dublagem brasileiro – destaque para a hilária cabra Lupe na voz da Thalita Carauta e da fofinha Nina dublada pela atriz, apresentadora e youtuber Maisa Silva.

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