Início Críticas Crítica: Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi

Crítica: Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississippi

Um filme sobre as semelhanças e diferenças na disputa contra o autoritarismo.

Jason Mitchell e Garrett Hedlund em cena (Divulgação/Diamond Films)

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississippi mostra a fragilidade dos opressores e a violência desmedida que recai sobre os oprimidos. Sem um protagonista óbvio, o longa tem como elemento principal sua tentativa de provocar o diálogo entre personagens de realidades distintas.

Um dos núcleos do filme é formado pela família McAllan, brancos donos de terras. Dentro da família há um destaque para Laura (Carey Mulligan), casada com o primogênito dos McAllan. Ela vive submissa às vontades do marido. Papa (Jonathan Banks), o patriarca da família é o mais extremista quando o assunto é a soberania do homem branco.

Outro núcleo é o da família Jackson. Florence (Mary J. Blige) e Hap (Rob Morgan) cresceram trabalhando em terras que não eram suas e nutrem o desejo de ter um pedaço próprio de terra. Criaram seus quatro filhos em meio ao trabalho rural e três momentos marcam essa família.

O primeiro deles é a ida de Ronsel Jackson (Jason Mitchell), primogênito da família, à guerra. O segundo marca pontualmente o entrelaçar das histórias dessas duas famílias. Os McAllan que passaram um bom tempo afastado do campo voltam para morar em suas terras que estão sobre os cuidados dos Jackson.

A relação de submissão dos Jackson se torna explicita com a volta de Ronsel e de Jammie McAllan (Garrett Hedlund), caçula da família que também tinha ido para a guerra. Os traumas violentos que os dois carregam acabam os aproximando, o que não é visto com bons olhos pela vizinhança racista.

Laura e Florence apesar de serem mulheres, trazem posições diferentes; enquanto Laura se inquieta com a falta de liberdade, Florence carrega consigo o desejo de que seus filhos não sejam vítimas de um racismo desenfreado.

Dee Rees, diretora do filme (Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP)

Sob a direção da Dee Rees, o filme usa um “dispositivo” pouco utilizado atualmente em grande produções: narração. Os personagens que mais se destacam no filme narram seus medos e desejos enquanto imagens fortes e impactantes sob a direção de fotografia de Rachel Morrison contextualizam seus discursos. Essa voz over é usada de forma prolongada e consegue aproximar o espectador da narrativa, os personagens parecem estar cochichando aos nossos ouvidos.

De forma impactante Rees consegue tornar possível o esforço de um diálogo de diferenças, entretanto deixa explícito que sempre podemos esbarrar em um tradicionalismo cruel que pode nos tirar com as próprias mãos nosso direito de fala.

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Lais Rilda
Lais Rilda
Estudante de Rádio, TV e Internet e consequentemente apaixonada por audiovisual, passo a maior parte do tempo relacionando o que aprendo em sala de aula com o que vejo na vida real e na ficção.

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