Crítica: O Insulto

Uma história que busca a razão dos conflitos humanos.

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Lais Rilda
Lais Rilda
Estudante de Rádio, TV e Internet e consequentemente apaixonada por audiovisual, passo a maior parte do tempo relacionando o que aprendo em sala de aula com o que vejo na vida real e na ficção.

O insulto (Divulgação/Imovision)

Um insulto pode tomar proporções surpreendentes e ativar a violência que o Homem guarda dentro de si. O roteiro de O Insulto, dirigido por Ziad Doueiri, trata dessa questão e é o primeiro filme Libanês a concorrer ao Oscar.

Como já tínhamos falado aqui no site, a inspiração para a construção do roteiro veio de 
uma situação semelhante vivida pelo próprio diretor que proferiu o mesmo insulto que o
personagem Toni (Adel Karam), um cristão libanês.

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O filme traz à tona o famoso efeito borboleta, o insulto lançado entre poucas pessoas acaba se tornando um embate jurídico, político e segregacionista no país, reabrindo feridas de um passado também rodeado de rivalidade e brutalidade.

Adel Karam em cena de O insulto (Divulgação/Imovision)

O conflito inicial gira em torno de Toni e Yasser (Kamel El Basha), refugiado palestino. Com um roteiro sagaz, a trama passa a ter uma série de engates que gradualmente vão aumentando as proporções do caso, o fazendo parar nos tribunais.

Por um bom tempo Yasser é apresentado como uma vítima de uma ação violenta de Toni, no entanto durante o desdobramento do caso percebemos que a rivalidade entre os protagonistas e seus defensores na verdade tem um histórico bastante intenso. Apesar da repercussão violenta sobre o caso, Yasser e Toni parecem entender no fim da trama que a razão do conflito vai além dos insultos proferidos por ambos e está ligada de forma direta a essa carga histórica.

Kamel El Basha em cena de O insulto (Divulgação/Imovision)

Os engates do roteiro, assinado por Joëlle Touma e Doueiri, são peças importantes para o espectador se envolver com a história e assim como os protagonistas possamos entender a complexidade do caso que eles se envolveram.

A atuação de Kamel El Basha e Adel Karam também merecem um destaque, ambos atores conseguiram tornar seus personagens “palpáveis”. Eles ofereceram a Yasser e Toni, respectivamente, uma interpretação dramática equivalente as vivências passadas pelos personagens e que vamos conhecendo ao longo do desdobramento da história. Kamel El Basha, inclusive é um personagem silencioso. Com poucas falas El Basha usa e abusa de expressões tão compreensíveis que lhe renderam o prêmio de Melhor Ator da 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

O insulto é um filme que conquista pela forma dinâmica e didática na qual tenta buscar as razões para rivalidades e conflitos entre dois grupos, porém abre possibilidade para que a gente aplique a situação à outras realidades mais próximas de nós.

Trailer:

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