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Crítica: Pequena Grande Vida

Pequena Grande Vida é uma aula de como desconfiar quando as soluções para os problemas vêm fácil demais.

Pequena Grande Vida (Divulgação/Paramount Pictures)
Pequena Grande Vida (Divulgação/Paramount Pictures)

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Em tempos de crise, desequilíbrio entre as castas da sociedade e do definhar da natureza perante as ações do homem, cientistas buscam uma solução para contornar tais problemas. Ainda que na realidade os progressos ocorram a passos lentos, em Pequena Grande Vida (“Downsizing”) – longa de Alexander Payne aclamado no Festival de Veneza – a descoberta da possibilidade de encolhimento dos seres humanos abriu um leque de oportunidades que viriam afetar questões políticas, ambientais e sociais. Principalmente sociais.

Com contas a pagar e sonhos a realizar, os moradores da cidade de Omaha viram no encolhimento a possibilidade de ter uma vida estável, com menos gastos e onde o seu dinheiro vale muito mais que na vida em tamanho real. Depois de ter contato com amigos que passaram pelo processo de encolhimento (“downsizing”, de onde vem o título original do filme), o personagem de Matt Damon e sua mulher – interpretada por Kristen Wiig – resolvem se entregar a este estilo de vida.

O mundo de Pequena Grande Vida é como o nosso, só que encolhido. Na tela, por vezes a fotografia, montagem e a direção de arte se aliam para proporcionar esta visão de espaço minúscula, principalmente nos momentos em que vemos objetos em tamanho real ao lado do que foi encolhido. Em contrapartida, é perceptível o uso de chroma key para criar a perspectiva do encolhido sobre o tamanho real, o que as vezes nos faz ter uma visão fake da cena.

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O roteiro de Payne e Jim Taylor traz temas importantes e que são muito bem discutidos, desde a questão dos níveis sociais, que num momento parecem ser resolvidos (e unificados) no mundo encolhido – lá chamado de Lazerlândia (ou “Leasureland”) – mas na verdade acontece da mesma forma, seja no momento em que o protagonista escolhe o modelo de vida (ou plano) que pretende viver naquele lugar ou quando se depara com uma refugiada que ganha a vida fazendo faxina para ricões contrabandistas.

É nesse encontro entre Paul Safranek (Matt Damon) e Ngoc Lan Tran (Hong Chau) que temos uma grande virada na trama – o que parecia ser uma solução para proporcionar uma melhor qualidade de vida e ajudar o meio ambiente que estaria entrando em colapso nada mais é que mais uma das artimanhas políticas, usando e abusando de vias científicas, para intensificar a segregação social, mascarando este fato para o povo.

Em pouco mais de uma duas horas, Pequena Grande Vida dá uma aula sobre empatia, convivência e por que não, sobre o amor. Embora o final ocorra de forma bem atrapalhada e com um rumo desnecessário, o saldo é positivo pelos dois primeiros atos do filme, que empolgam pelo seu texto necessário e urgente e pela forma diferente de contar uma história por vezes tão clichê no cinema – sobre pessoas que encolhem – mas sem se tornar um clichê de verdade, com uma trama bastante original.

 

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
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