Crítica: Trama Fantasma

Com seis indicações ao Oscar, longa de Paul Thomas Anderson conta com a despedida de Daniel Day-Lewis da carreira de ator.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Trama Fantasma (Divulgação/Universal Pictures)
Trama Fantasma (Divulgação/Universal Pictures)

Trama Fantasma (“Phantom Thread”), título do novo longa de Paul Thomas Anderson, é apropriado por diversos motivos, sejam eles literais, emocionais ou psicológicos. Um filme que se apoia em atuações brilhantes, trilha sonora primorosa e ótimas surpresas.

Daniel Day-Lewis, no que é supostamente o último papel de sua carreira, interpreta o estilista Reynolds Woodcock, um equivalente londrino de Christian Dior, dono de uma maison que leva seu nome e reverenciado por todas as mulheres, que sonham em usar uma de suas criações.

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Em meio a nomes de peso como Anderson e Day-Lewis, a quase novata – ao menos em termos de Hollywood – Vicky Krieps não deixa nada a desejar ao gênio desses artistas com sua interpretação da jovem Alma, que aparenta a princípio ser uma simples garota do interior, com rosto e corpo de camponesa e um inglês imperfeito. Após um breve primeiro encontro, Reynolds se mostra encantado, e mais especialmente inspirado pela garçonete. O filme adquire um quê de contos de fada, no qual Alma faz a passagem da classe operária para os salões da alta-costura, desfilando modelos belíssimos e se tornando a mais nova musa do famoso estilista. Como consequência, a paixão entre os dois floresce.

Porém o encantamento não dura para sempre, uma vez que falta à Alma o refinamento e atitude blasé compartilhados pela mais alta sociedade e pela nobreza frequentadora da maison Woodcock e seus moradores. Ao contrário do esperado, especialmente pela irmã de Reynolds, Cyril – uma interpretação cortante e maravilhosa de Lesley Manville – muito rapidamente fica claro que Alma não é mais uma das inúmeras amantes do irmão cujo prazo de validade parece expirar a cada poucos meses. A jovem revela uma personalidade forte, opiniões próprias, assim como um caráter obsessivo semelhante ao do estilista. O conto de fadas chega ao fim e dá lugar ao drama e ao suspense.

A introdução acima é mais que suficiente, e detalhar os demais pontos da narrativa seria prestar um desserviço aqueles que ainda não tiveram o prazer de assistir Trama Fantasma. Trata-se de um trabalho refinadíssimo de atuação, no qual Vicky Krieps – que apresenta um combo de delicadeza, naturalidade, e momentos chave de intensidade – não se deixa intimidar por Day-Lewis, que mostra mais uma vez porque é indiscutivelmente um dos melhores atores dessa geração, desaparecendo nas expressões faciais e maneirismos de Reynolds, e dando vida à um personagem que é muitas coisas: impulsivo e perfeccionista ao extremo, infantil, cruel, e ao mesmo tempo amável e delicado.

A direção de Anderson é meticulosa e sua fotografia linda, porém em nenhum momento é indulgente, o que é em geral o caminho mais fácil para se obter um bom resultado. Sua câmera está muito mais interessada nos rostos e nas mãos dos personagens, que dizem tudo, e nos detalhes que trazem verossimilhança à história, como o trabalho incansável e preciso das costureiras no ateliê.

A trilha original nomeada ao Oscar e composta por Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, com peças clássicas para piano e orquestra, parece nos avisar que as coisas não são o que parecem ser, que algo mais sombrio está a espreita; e é prova do talento de Anderson que as mudanças de tom no longa são tão fluidas e elegantes quanto os belos vestidos da protagonista.

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