Crítica: Com Amor, Simon

Filme estrelado por Nick Robinson e Katherine Langford é um romance sobre sair do armário baseado no best seller "Simon vs. A Agenda Homo Sapiens", de Becky Albertalli.

Com Amor, Simon (Divulgação/Fox Film)
Com Amor, Simon (Divulgação/Fox Film)

A palavra-chave de 2017 no universo do entretenimento foi “representação”. Seja para as mulheres, minorias raciais ou aqueles que se identificam de alguma forma dentro do espectro queer. Para este último público, especificamente, o ano que passou foi bastante frutífero com relação às produções cinematográficas, com filmes que exploraram diversos temas dentro do universo LGBTQ. Começando com o impactante ganhador do Oscar de Melhor Filme “Moonlight”, passando pela obra-prima “Me Chame Pelo seu Nome” e os ótimos “120 Batimentos por Minuto”, “God’s Own Country”, “Uma Mulher Fantástica” e “Beach Rats”; cada um desses longas não só deram sua contribuição ao cânone do cinema queer, como também possuem grande qualidade técnica – dos scripts às atuações.

Com amor, Simon é baseado no livro “Simon vs. A agenda Homo Sapiens” e promovido como “a primeira comédia romântica gay adolescente”; conta a história de um jovem do ensino médio comum, com família, casa e amigos comuns, que guarda um segredo: Simon é gay, e tem vivido no armário pelos últimos 4 anos. Acontece que esse é, infelizmente, o único diferencial do flick dirigido por Greg Berlanti e estrelado por Nick Robinson, Jennifer Garner e Josh Duhamel, que segue os mesmos moldes das centenas de outros filmes do gênero estrelados por personagens heterossexuais.

Essa não é a primeira vez que o processo de “coming out” é retratado no cinema (nem na tv), e excluindo os conflitos enfrentados pelo personagem e a dificuldade em flertar com garotos, todo o “plot” do filme se torna irrelevante e cansativo, pois trata-se de uma imensa colcha de retalhos de elementos já explorados à exaustão, restando pouca ou nenhuma originalidade e apelo comercial de sobra. Em comparação rápida com “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, que também é estrelado por um adolescente gay ainda em fase de descobertas, o título nacional se mostra bastante superior, com um roteiro honesto, diálogos e situações da vida real, além de personagens genuínos.

Contudo, apesar do excesso de homogeneização e de um romance sem muita credibilidade, Com amor, Simon tem bons momentos, graças ao talento de Nick Robinson (Jurassic World) e sua ótima presença em cena, assim como o de Katherine Langford (“13 Reasons Why”), e é inegável que possua importância, dentro de suas limitações, tanto para seu público-alvo quanto para adultos que precisaram ou desejaram um filme como esse na juventude. Representação é mais que necessária, porém é possível, assim como as grandes obras referidas previamente demonstraram, uni-la à qualidade e ao não convencional, independentemente do gênero em questão.

VEREDITO
Com Amor, Simon (Love, Simon, 2018, EUA)
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Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

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