Crítica: Jogador Nº 1

Adaptação da obra literária de Ernest Cline para as telonas tem Steven Spielberg na direção, elenco jovem afiado e referências à cultura pop pra deixar muito marmanjo arrepiado.

Jogador Nº 1 (Divulgação/Warner Bros.)
Jogador Nº 1 (Divulgação/Warner Bros.)

Adaptações literárias para a grande tela são difíceis de serem digeridas pelos fãs. Com a obra de Ernest Cline, o experiente cineasta Steven Spielberg teve grande desafios ao transformar Jogador Nº 1 (“Ready Player One”, título original) em filme – e se saiu muito bem.

As adaptações cinematográficas são sempre passíveis de modificações e esse é um dos fatores que sempre causa burburinho. Sai uma coisa daqui, troca outra dali, um toque do diretor por aqui… e as vezes isso é o bastante para uma superprodução ir para o limbo. Mas em Jogador Nº 1, Spielberg usou de sua influência em Hollywood para vencer algumas barreiras e tentar transportar o universo criado por Cline para as telonas. Uma delas são os direitos autorais, o que permitiu a utilização das diversas referências à cultura pop que são vistas (e ouvidas) ou longo do filme.

O longa se passa em 2044, um futuro em que Wade Watts (Tye Sheridan), e o resto da população mundial troca as dores do mundo real pela manipulável realidade virtual do jogo OASIS. Uma reviravolta acontece quando o criador do jogo morre e os jogadores tem que descobrir as chaves que os levam a um easter-egg, algo escondido na aventura virtual que dará ao vencedor uma fortuna que pode mudar sua vida. Tentando vencer, Watts passará por poucas e boas vivendo entre o virtual e a realidade para conquistar não só sua liberdade, mas também um difícil amor.

Além da trama, que por si só é envolvente – distopia, realidade virtual, drama e muita ação – as referências tornam a experiência do espectador mais completa. É incrível ouvir os melhores sons dos anos 80 ao mesmo tempo em que pipocam na tela um dinossauro – provavelmente perdido do Jurassic Park (olha só, do Steven Spielberg!) -, um King Kong, o Gigante de Aço, o boneco assassino Chucky e um cinema que transporta os personagens para dentro do terror “O Iluminado”. Neste último, vale destacar o acertado trabalho dos efeitos visuais ao transportar a atriz do filme original para Jogador Nº 1.

Recém indicado ao Oscar por “The Post”, que contou com os veteranos Meryl Streep e Tom Hanks no elenco, Spielberg dessa vez resolveu contar com jovens atores pouco conhecidos do grande público. Tye Sheridan, embora já conte com uma lista extensa de trabalhos no cinema, ficou conhecido por seu papel como Ciclope em “X-Men: Apocalipse”; já a britânica Olivia Cooke viu sua carreira ascender após participar do elenco regular da aclamada série “Bates Motel”. E eles não devem nada a atores mais famosos que fizeram filmes do gênero – a química entre os personagens é incrível e mesmo quando separados, é perceptível o quanto eles estão afiados com cada detalhe do filme, desde o texto ao momento em que dão vida não só aos seus personagens, mas também aos cenários que em grande parte são feitos em computação gráfica.

Não bastasse acertar como adaptação cinematográfica, Jogador Nº 1 discute questões contemporâneas de uma maneira simples e didática sem prejudicar a qualidade da trama. É possível comparar personagens desta ficção com pessoas do mundo real – a separação de amigos louco por tecnologia, ex-funcionário criando uma empresa concorrente e lançando guerra pelos consumidores lembra algumas figuras da vida real (inclusive já retratadas em filmes, alguns até biográficos). Mas a trama mais forte mesmo é a central, que coloca o povo humilde unido pela queda da alta sociedade que os controla e escraviza, fazendo valer o lema que diz que “a união faz a força”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui