Crítica: Maria Madalena

Garth Davis dirige Rooney Mara e Joaquin Phoenix em um novo take sobre a história da Apóstola dos Apóstolos.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Maria Madalena (Divulgação/Universal Pictures)
Maria Madalena (Divulgação/Universal Pictures)

Quando perguntados sobre quem foi Maria Madalena, muitos de nós temos uma resposta na ponta da língua: a prostituta “salva” e “perdoada” por Jesus Cristo. Essa imagem trata-se, no entanto, de um equívoco. Um boato criado e corroborado durante séculos, até ser desmentido e retificado pela Igreja Católica em 2016, com a publicação do decreto que deu a Maria Madalena o título de Apóstola e reconheceu seu papel e importância nos acontecimentos relatados no Novo Testamento.

O trabalho de Garth, que dirigiu “Lion: Uma Jornada para Casa”, diferencia-se de outros filmes sobre os últimos dias de Jesus na terra e sua crucificação por assumir o ponto de vista feminino de uma personagem há muito negligenciada, contextualizando sua decisão de largar a vida que conhecia e segui-lo em sua jornada.

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Rooney Mara entrega mais uma vez uma performance precisa, elegante e minimalista, e através dela somos apresentados a uma jovem Maria inteligente, talentosa e carinhosa, porém com uma personalidade decisiva demais para a época e os costumes judeus, e que após recusar-se a aceitar um casamento arranjado, é repudiada pela família. Sentindo um vazio indefinido e uma ligação com algo maior, a jovem se sente atraída pelas ideias de um suposto profeta que anda de cidade em cidade pregando a misericórdia, o perdão, e a vinda do reino dos céus.

O profeta em questão é Joaquin Phoenix, que interpreta um Jesus introspectivo, misterioso e cheio de dúvidas sobre si mesmo e sua missão na terra. As escolhas do ator destoam em parte daquelas do restante do elenco, com maneirismos e padrões de fala um pouco questionáveis. No geral, trata-se de um Cristo extremamente humano, com uma divindade que só se apresenta nos momentos específicos de cura tão conhecidos das escrituras. Chiwetel Ejiofor, no papel de Pedro, é apenas um dos vários apóstolos ligeiramente chocados quando, após ser batizada, Maria resolve acompanhá-los – apesar das súplicas do pai e da irmã, que avisa: “Nenhum homem jamais vai querer tocá-la”, referindo-se à imagem de “mulher perdida” que a jovem inevitavelmente passaria a carregar, mesmo centenas de anos após sua morte.

Com primeiro e segundo atos um tanto monótonos, Maria Madalena tem seu melhor momento com a chegada do grupo em Jerusalém (sequências como a destruição do templo e a crucificação), assim como chamando a atenção à inveja e incredulidade demonstrada pelos apóstolos quando Maria anuncia ter presenciado a ressurreição do profeta, tornando-se, de fato, a primeira mulher a pregar o evangelho. O recente reconhecimento da Igreja Católica, aliado ao momentum de “empoderamento” feminino na mídia e na sociedade em geral faz do longa uma adição válida e oportuna ao cânone dos filmes religiosos, com o máximo de originalidade que se pode esperar do gênero.

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