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Crítica: Motorrad – A Trilha da Morte

Motorrad (Divulgação/Warner Bros.)
Motorrad (Divulgação/Warner Bros.)

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Um rapaz entrando num ferro velho e roubando o carburador de uma motocicleta. O silêncio desta tomada prevalece até os primeiros tiros disparados por um senhor de idade tentando capturar o ladrão. Sem nenhuma palavra dita, a cena se estende traduzida em ação e suspense, gêneros que prevalecem até a sequência final de Motorrad.

Com menos sustos e mais apelo psicológico, Vicente Amorim traz um trabalho impecável na direção de Motorrad. O cineasta responsável por “O Homem Bom” (2008) constrói uma atmosfera de thriller aliada a adrenalina da velocidade das motocicletas na tela – numa montagem intensa de Lucas Gonzaga. Amorim ainda insere um pé de terror no longa, aproveitando a onda de terror moderno do cinema americano que vem sendo bastante elogiada pela crítica, a exemplo dos mais recentes “Ao Cair da Noite” (2017) e “A Bruxa” (2015).

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No filme, Hugo (Guilherme Prates) rouba peças num ferro velho para equipar sua motocicleta e participar do seleto grupo de motocross do qual o irmão (Emílio Dantas) participa. Eles decidem fazer uma trilha até uma cachoeira, até se depararem com um antigo muro. Ao atravessarem, encontram uma moça misteriosa que sugere fazer um caminho mais radical, levando-os a lutar por sua sobrevivência ao se depararem com um grupo de motoqueiros sedentos por suas vidas.

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A fotografia em tons de cinza e preto de Gustavo Hadba dão o tom sombrio da trama, ao mesmo tempo que contrastam com a coloração dos quadrinhos de Danilo Beyruth, que deram origem ao filme. Os arquétipos de thriller estão todos ali – o mistério em torno dos motoqueiros assassinos, os personagens que morrem um a um e as situações violentas em que perdem suas vítimas, com direito a detalhes que chegam a revirar o estômago. O mistério em torno de Paula, com viés sobrenatural, acaba ficando de lado com tanta brutalidade, mas vez ou outra somos lembrados de que ela está ali escondendo algo e que em algum momento surgirá com alguma surpresa.

Assistir Motorrad e se deixar levar pela trama é uma completa experiência sensorial, que pouco explora as palavras ao mesmo tempo em que dá valor à expressão e a performance do elenco e resulta num filme diferente, ousado e que engrandece e diversifica o cinema brasileiro.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
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