O Passageiro (Divulgação/Imagem Filmes)
O Passageiro (Divulgação/Imagem Filmes)

Liam Neeson está de volta às telonas num filme do gênero que lhe consagrou. Filmes de ação são o seu forte e em O Passageiro o cineasta Jaume Collet-Serra não deixou isso de lado, ainda que o drama e mistério também sejam parte da jornada do personagem de Neeson.

O longa inicia sua trama com imagens aceleradas e passagens de tempo para mostrar a rotina do protagonista, que tenta manter o equilíbrio financeiro para cuidar da sua família. Alguns planos vão por água abaixo e crise matrimonial irá piorar com a sua demissão, que o deixa abalado, não antes fosse surpreendido por uma proposta irrecusável numa de suas viagens de trem na volta para casa. Um verdadeiro jogo de gato e rato inicia e se mantém mesmo após o personagem de Neeson descobrir que caiu numa armadilha quase que impossível de escapar.

O tom investigativo da trama lembra muito “Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie, mas só pela ideia do protagonista caçar o culpado por determinado crime – enquanto no livro da romancista transforma os suspeitos em protagonistas (ainda que fossem personagens secundários), em O Passageiro vemos toda a trama girar em torno do papel de Liam Neeson, tornando os outros passageiros do trem figurantes que vez ou outra ganham alguma relevância para servir de escada para… o protagonista.

Assumindo o papel principal, Liam Neeson entrega uma atuação ao seu nível – o ator entrega um personagem crível e interessante, que consegue levar o público consigo na jornada da trama. Vera Farmiga e Patrick Wilson apresentam atuações mais contidas, mas muito disso se deve as suas pequenas aparições, diferente do protagonismo que assumem na franquia “Invocação do Mal”.

Na direção, Jaume Collet-Serra não decepciona. O cineasta que veio de sucessos como “A Casa de Cera” (2005), “Águas Rasas” (2016) e dos filmes de ação já em parceria com Neeson como “Desconhecido” (2011) e “Sem Escalas” (2014), usa de arquétipos modernos do cinema e os introduz no gênero ação, fazendo uso de planos sequência envolventes que muito lembram os jogos de video game mais recentes (inclusive nos efeitos especiais, que não muito caprichados, nos dá a sensação de estar assistindo a cenas de um jogo com cenários manipulados em computação gráfica). Vemos também o protagonista fazendo as vezes de observador em grande parte do filme, sempre em primeiro plano, o que reforça que o filme gira completamente em torno de Michael McCauley (Liam Neeson).

Fugindo da fórmula comum dos filmes de ação, O Passageiro traz elementos inovadores para o gênero, mas peca na condução da trama excessivamente focada num só personagem; ainda assim, o longa prende o espectador pelo elemento de mistério, conduzindo-o a um final apoteótico e surpreendente.

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