Início Colunas Lari Pelo Mundo - An deireadh agus an atosú. Slán, Éire.

Lari Pelo Mundo – An deireadh agus an atosú. Slán, Éire.

Dizer adeus à Irlanda não foi fácil, mas saber que tinha para onde voltar foi algo bom de se descobrir. Éire me trouxe muito autoconhecimento sobretudo sobre o que é ter um lar.

Assim como quando eu voltei das outras viagens, voltar para Dublin passou a trazer uma sensação de volta para casa. De Londres, não foi diferente. Principalmente porque eu só teria mais dois dias na Éire. Inclusive, esse é o motivo do dia (quarta-feira) e hora dessa (última) postagem, o horário (16:35)  do meu 1º vôo da volta para o Brasil.

Enquanto eu estava em Londres, maturei bastante a ideia de fazer uma tatuagem. Sempre quis fazer uma, mas não tinha muita coragem. Além disso, eu sabia que tinha que ser algo que eu soubesse que teria significado para sempre – já que ninguém faz tatuagem pensando em apagar, né? Quando voltei para Dublin, pensei muito sobre o assunto e, depois de tudo que vivi, e tudo o que aprendi sobre mim mesma e sobre o quanto eu devo e posso mudar minha vida, lembrei de um poema e soube exatamente que havia encontrado a minha tatuagem.

Procurei loucamente por um estúdio e encontrei um perto da rua da Tiffany, o WildCat Ink, quando entrei lá me tremia mais que tudo. Quase engasgando ao falar com o Tatuador – que descobri ser brasileiro.  Quando saí de lá, já tinha agendado para o mesmo dia, no fim da tarde. Até porque, se eu adiasse, com certeza, acabaria desistindo. Mostrei a ele a frase que queria e fui tomar banho e trocar de roupa para voltar e, enfim, fazer. Quando cheguei no hostel, falei com o meu namorado, liguei para a minha mãe, deixei todo mundo ciente e fui.

Tatuagem não dói tanto como falam. E eu fiz na costela que, de acordo com o tatuador, é o lugar que mais dói de todos. O que dói é mais o medo do que as furadas em si. Quando saímos do estúdio fomos para a 2ª casa em Dublin, o The Luggage, e depois de duas pints, para o Hostel.

O último dia em Dublin foi meio dolorido – a tatuagem doeu mais depois do que na hora, afinal, é um “corte”, né? Então a região ficou dolorida, e inteiramente dedicado a comprar as lembrancinhas que eu traria. A verdade é que foi um dia meio melancólico. Embora eu estivesse morrendo de saudade da vida em Recife, saber que voltaria à realidade anterior, depois de ter visto o mundo assim ou, como dizem, de ter ampliado a mente, é uma ideia complicada. E foi exatamente aí que minha tatuagem fez mais sentido: “I am the master of my fate, I am the captain of my soul” “(eu sou o senhor do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”.

Voltar para casa foi, sem nenhuma dúvida, o momento mais difícil do intercâmbio. Não por falta de amor a tudo que ficara aqui na minha terrinha, óbvio; mas pela sensação de que eu ainda tinha muito a fazer em Dublin. Principalmente, com relação a quem eu sou. Porque a verdade é que por mais que um intercâmbio seja sobre a vivência de outra(s) cultura(s), ele é um mergulho dentro de si.

Em 25 anos de vida, eu nunca aprendi tanto sobre mim ou sobre o que eu penso sobre o futuro como nesses 35 dias. Quando eu cheguei na Ilha Esmeralda, eu tinha inúmeras perguntas que precisavam de respostas, ao voltar para casa, tinha ainda mais questionamentos, mas, de algum modo, parecia que algumas coisas passavam a fazer sentido.

Éire

Além disso, é claro, é interessante o quanto a gente aprende sobre o ser humano numa viagem assim. No fundo, somos todos iguais e cheios de medo – seja do futuro, seja de sofrer, seja de se encontrar. São pessoas, de todo o mundo, longe do que costumamos chamar de “home/lar” explorando uma nova realidade e, naturalmente, descobrindo um pouco sobre tudo – o mundo, as pessoas, as culturas e, claro, sobre si.

E se tem uma coisa que passa pela cabeça no momento de retorno são as milhares de lembranças. Seja dos micos que foram pagos, dos momentos de apoio, das lágrimas derramadas, dos momentos de descoberta, das viagens realizadas, mas, principalmente, da vivência tão igual e, ao mesmo tempo, tão diferente das realidades em que vivemos. Ir a um pub em Dublin, obviamente, não é como sair em Recife. E que bom que não é!

Se em Esqueceram de Mim 3, há uma cena em que se diz: “I left my heart in San Francisco”, eu, com certeza, dobrei o tamanho do meu, trazendo um pouquinho de Dublin comigo. Como dizem: “I’m not Irish because I was born in Ireland, I’m Irish because Ireland was born in me” (eu não sou irlandesa porque eu nasci na irlanda, eu sou irlandesa porque a Irlanda nasceu em mim).

Dublin e a Irlanda foram, sem dúvidas, um divisor de águas na minha vida. Todo o intercâmbio foi. A relação entre sonhos e realidade foi modificada e isso só me trouxe ainda mais vontade de sonhar mais, conhecer mais, fazer mais. E, por mais que agora eu queira alçar voos ainda mais altos, vejo que tudo isso só tem sentido porque eu tenho um lugar para voltar. Porque eu tenho meus lares aqui, em Recife. E não estou falando do lugar físico, mas das pessoas que são meu lar. Nenhuma viagem ou descoberta teria sentido sem elas.

Então, essa última postagem, é inteiramente dedicada àqueles que são meu lar a todo momento e em qualquer lugar do mundo ou do tempo em que eu esteja. Àqueles que fazem com que tudo tenha sentido e que tudo valha a pena. Àqueles pelos quais vale sempre a pena voltar. Amo vocês, obrigada por tudo!

Então, pela última vez desse intercâmbio,

See you soon in Papo Seriado,

Xoxo.

Ps.: Tradução do título: O fim e o recomeço. Adeus, Irlanda.

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Larissa Ramos
Larissa Ramos
Bacharela em Direito, advogada e concurseira, apaixonada por séries, filmes, livros e música. Sonha com a chance de viver como atriz e se derrete com histórias de amor. Seu grande ícone é Audrey Hepburn.

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