Crítica: A Odisseia

Dirigido por Jérôme Salle, "A Odisseia" é um mergulho na vida de Jacques Cousteau.

A Odisseia (Divulgação/Esfera Filmes)
A Odisseia (Divulgação/Esfera Filmes)

Através do mar, A Odisseia (“L’Odyssée”) apresenta um conflito de gerações que repercute não só na família mais também na natureza. Baseado em fatos reais, o longa narra a trajetória do documentarista e oceanógrafo Jacques Cousteau (Lambert Wilson) e suas relações profissionais e íntimas.

A sede de explorar fundo do oceano guia a vida de Cousteau. Para tornar esse trabalho rentável, ele decide colocar entre a tripulação equipamentos de filmagem e uma parte da sua equipe passa a registrar os momentos do oceano, levando a salas de cinema imagens surpreendentes da vida marítima. Tudo estaria bem se a ganância de Cousteau não o fizesse tomar decisões difíceis para seus filhos, por exemplo. Ainda muito jovem os dois filhos são colocados em um internato. Philippe (Pierre Niney), o caçula e mais hiperativo dos irmãos resiste, mas não há saída.

Enquanto estão no internato esperando completar a maior idade, o pai conquista prêmios no cinema pela originalidade das imagens da sua tripulação em alto mar. Isso parece piorar a situação do pai e a cada prêmio, ele busca novos recursos em troca de promessas difíceis, que acabam sempre comprometendo seu capital.

Depois de passar perto de falir várias vezes, chega o dia em que reencontra seus filhos já adultos. Philippe assim como na infância demonstra seu interesse pelo mar e, principalmente, sua impetuosidade. Em uma das primeiras viagens que faz com seu pai, Philippe percebe um desequilíbrio natural envolvendo espécies aquáticas, diversa vezes tenta expressar em vão essa situação para Cousteau, que está sempre ocupado em busca de patrocínios.

Uma das ultimas grandes aventura de Cousteau é pela Antártida e depois que convence o filho a acompanhá-lo segue viagem. Ao chegar ao destino, Cousteau encontra um cenário incomum e fica frente a frente como desequilíbrio natural do qual Philippe sempre o falou.

Além da história delicada, outros dois pontos merecem destaque em A Odisseia são: suas imagens que acabam se tornando um perfeito reflexo das sensações que vemos no filme que os espectadores de Cousteau sentiam quando assistiam suas imagens; o outro ponto diz respeito a maquiagem, tanto Cousteau quanto sua esposa Simone (Audrey Tautou), interpretam diferentes fases da vida dos personagens reais num intervalo de 33 anos. A boa interpretação de ambos preserva traços comuns com o passar do tempo compondo a qualidade técnica da maquiagem.

Entretanto, a primeira parte de A Odisseia pode não despertar o interesse daqueles que não conhecem Cousteau, que até então aparenta ser apenas um personagem banal e raso. Só na segunda parte do filme fica explícito seu papel fundamental na propagação de uma consciência ambiental sobre a vida marítima.

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