Cristiano aproveita uma pausa no trabalho para descansar em "Arábia" (Divulgação/Embaúba Filmes)
Cristiano aproveita uma pausa no trabalho para descansar em “Arábia” (Divulgação/Embaúba Filmes)

Dirigido por Affonso Uchôa e João Dumans, o longa Arábia é narrado em primeira pessoa, pelo protagonista Cristiano (Aristides de Sousa). Preso ainda jovem, Cristiano ao ser solto decidi sair da sua cidade para evitar novos problemas com a polícia. A partir daí o protagonista passa a viver a história dos heróis da vida real, a saga do trabalhador brasileiro.

Antes de me aprofundar sobre a história principal do filme, é válido destacar que o longa conta com um prelúdio. Na primeira cena somos apresentados a André (Murilo Caliari), um
jovem que mora sozinho com seu irmão mais novo. A tia deles costuma visitá-los para ajudar, enquanto os pais não voltam de viagem. Apesar desse prelúdio conseguir despertar o fascínio pela fotografia que se segue ao longo do filme, sua duração é extensa. Os 20 primeiro minutos são um teste de paciência e só ao final deste prelúdio os caminhos de André e Cristiano se cruzam diante do espectador.

Com o corpo de Cristiano estirado na maca, André precisa ir até a casa do trabalhador a pedido da sua tia, lá ele encontra um caderno onde Cristiano escreveu sua trajetória de vida e só então tem início a trama principal. Repleto de tentativas de se estabilizar socialmente, Cristiano vaga de trabalho em trabalho, às vezes em troca apenas de moradia e comida. O filme acaba assumindo um caráter contemplativo e seguimos com a câmera pelas andanças de Cristiano.

Além da fotografia, a trilha merece destaque pela sua sensibilidade e a expressividade das letras escolhidas, inclusive elas são responsáveis por restabelecer a empolgação com o filme. Assim como o prelúdio o desenrolar da história é lento, entretanto com o protagonista dessa vez em cena, essa lentidão pode ser interpretada como uma alusão ao trabalho monótono aceito pela população apenas para garantir a sobrevivência. Essa situação fica explícita no discurso de Cristiano nos seu últimos minutos de trabalho. Aparentemente quando você entende o sistema já é tarde demais!

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