Crítica: De Encontro com a Vida

Comédia romântica conta a história de um jovem que perde 95% da visão mas não desiste de lutar pelo emprego dos seus sonhos.

De Encontro com a Vida (Divulgação/Alpha Filmes)
De Encontro com a Vida (Divulgação/Alpha Filmes)

Filmes de superação já se tornaram um clichê no cinema americano, mas o cinema estrangeiro também bebe dessa água – e mais acerta do que erra. Baseado numa história real, o alemão De Encontro com a Vida (“Mein Blind Date mit dem Leben”) conta a vida de Saliya Kahawatte após perder 95% da sua visão. Mostrar como o personagem vai se virar diante das dificuldades impostas pela deficiência e pelo preconceito deixa aquela suspeita de que será só mais um filme com o selo “Sessão da Tarde”, mas o cineasta  Marc Rothemund leva a produção muito além disso.

Saliya (Kostja Ullmann) está prestes a terminar a faculdade e mora com a família cujo pai é bastante conservador. Quando ele perde 95% da visão devido a uma doença de origem genética, ele vê seu sonho de trabalhar num hotel de luxo ficar cada vez mais impossível. Como muita força de vontade, ele decide esconder a deficiência e se candidata a uma vaga num dos melhores hotéis de Munique. Para realizar o sonho, ele contará com a ajuda do seu amigo Max (Jacob Matschenz) para realizar as tarefas e irá conhecer a jovem Laura (Anna Maria Mühe). A dúvida que fica por todo o filme é: até quando ele conseguirá esconder o seu maior segredo?

Embora De Encontro com a Vida não seja daqueles filmes visualmente caprichados como a maioria dos filmes de arte, ele compensa em outros detalhes que fazem a diferença ao longo da trama. Primeiramente, a seleção de elenco não podia ser melhor – Kostja Ullmann não só atua muito bem na pele de um cego como tem uma química bastante aparente com Jacob Matschenz. Se num primeiro momento a relação entre seus personagens aparente ser de rivalidade, logo acreditamos na amizade que se constrói ali e torcemos para que alcancem a vitória juntos. O combo fica completo com Anna Maria Mühe na pele da Laura e da criancinha que interpreta o pequeno Oskar.

A trilha sonora dá o tom do filme, sempre fazendo uso de faixas contemporâneas e bem utilizadas para expressar os momentos de acertos e erros do protagonista. O design de produção se destaca no contraste entre a ambientação do luxuoso hotel e suas dezenas de recintos, cada um com suas funções, e o pequeno cubículo em que Sali ou usa para dormir ou para treinar a melhor forma de encarar os desafios que surgem.

Destaque na programação da 41ª Mostra de Cinema de São Paulo, De Encontro com a Vida não é só uma comédia romântica de superação qualquer. O filme diverte, emociona e cativa o espectador ao mesmo tempo em que toca nas feridas ao discutir o preconceito com as deficiências físicas e como a sociedade tem a desnecessária vontade de desencorajar estas pessoas que são extremamente capazes de alcançar os seus sonhos, seja sozinho ou com a ajuda de uma mão amiga. E ao fim da história você entenderá a história dos milhões de Saliya que existem no mundo e pedirá por um universo com mais Sali e Max.

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