Crítica: Submersão

James McAvoy e Alicia Vikander vivem romance separados por oceanos.

Submersão (Divulgação/California Filmes)
Submersão (Divulgação/California Filmes)

Submersão, dirigido por Win Wenders, responsável por sucessos de crítica como Paris, Texas e os documentários O Sal da Terra e Buena Vista Social Club é uma adaptação do romance homônimo de JM Ledgard com roteiro não linear de Erin Dignam e fotografia de Benoît Debie.

No filme, James e Dani se conhecem por acaso em um resort 5 estrelas na Normandia. Ela uma cientista marinha, ele um engenheiro de sistemas de água trabalhando para o Governo Britânico. O interesse mútuo é instantâneo e logo os dois começam um romance. Dani está prestes a embarcar em uma inédita e perigosa missão na Groelândia, a bordo de um submarino, a fim de provar sua teoria sobre a origem da vida na região mais profunda do oceano. James também tem planos de voltar para a África, a trabalho. Os dois decidem dar uma chance ao relacionamento à distância. O que Dani não imagina é que o homem por quem se apaixonou é na verdade um agente do MI6, que após ser capturado por terroristas islâmicos durante uma missão passa semanas confinado em um cativeiro, sem comida, água e muito menos comunicação com o mundo exterior.

O filme se divide entre os momentos nos quais os protagonistas estão juntos, felizes, e como cada um lida com a distância de milhares de quilômetros após a separação. O silêncio de James é interpretado por Dani como prova de que ele provavelmente desistiu do relacionamento, o que atrapalha sua concentração e capacidade de se dedicar ao projeto em mãos, enquanto James, no cativeiro, se apega à lembrança da amada para resistir à fome e aos maus tratos enquanto tenta finalizar sua missão.

James McAvoy, sem dúvida um dos atores mais talentosos e carismáticos dessa nova geração, não decepciona: com o corpo magro e ferido, demonstra as dores do seu personagem através principalmente da fisicalidade, enquanto também explora seu lado emocional. Já Alicia Vikander deixa transparecer as incertezas de Dani de forma mais delicada, sutil e cerebral, um bom contraponto, mesmo que a química entre o casal nem sempre transpareça.

O roteiro tem algumas dificuldades para manter o ritmo – as transições entre os universos de Dani e James nem sempre são fluidas – e alguns diálogos são prejudicados pelo design de som, tornando-os difíceis de compreender. Restam incertezas sobre os destinos de ambos os personagens, e o final talvez não tenha a redenção desejada. Submersão é um estudo sobre o encontro e a separação, sobre a distância física e a proximidade emocional, costurados a momentos de crítica à política internacional, que nem sempre atinge todas essas marcas com perfeição.

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