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Crítica: Um Lugar Silencioso

Promovido como longa de terror, terceira aventura de John Krasinski na direção revela-se um sólido drama familiar.

Um Lugar Silencioso (Divulgação/Paramount Pictures)
Um Lugar Silencioso (Divulgação/Paramount Pictures)

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Monstros com habilidades auditivas sobrenaturais aterrorizam os últimos sobreviventes de um cenário pós-apocalíptico não definido, onde a palavra de lei é o silêncio. Vivendo no campo, tomando todas as precauções imagináveis para abafar ou reduzir qualquer ruído e comunicando-se através de linguagens de sinais, uma família tenta ao máximo manter uma vida normal. Tarefa quase impossível, quando o simples quebrar de um vidro pode significar uma sentença de morte. A expressão “silêncio ensurdecedor” quase sempre é considerada paradoxal, mas em Um Lugar Silencioso (“A Quiet Place”) ela se torna extremamente apropriada.

É um elogio ao filme e ao trabalho de Krasinski como diretor e co-roteirista ao lado de Bryan Woods e Scott Beck que passados os primeiros minutos de filme, no momento em que a ausência de fala e sons deixa de ser encarado como elemento de novidade e passar a ser regra, uma sutil sensação de claustrofobia – provocada não por limitações de espaço, mas sim de expressão – aos poucos toma conta do espectador, algo que persiste e se intensifica conforme os personagens enfrentam situações cada vez mais problemáticas. Um Lugar Silencioso explora, entre outros temas, o poder de adaptação do ser humano em vista às situações mais extremas, e como grandes traumas, tensão e medo constantes interferem e transformam o relacionamento familiar, assim como afetam seus membros individualmente.

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Além de dirigir e escrever John também estrela o longa ao lado de sua esposa Emily Blunt e dos atores mirins Millicent Simmonds, que teve seu papel revelação em Sem Fôlego (“Wonderstruck”) e é surda na vida real, e Noah Jupe, que contracenou ao lado de Matt Damon em Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso. Os quatro formam um elenco poderoso, e com atuações que vão de sólidas à impactantes, convencem como família em momentos de emoção e drama de forma genuína, e mesmo que Blunt roube as cenas de forma geral, todos têm oportunidade de brilhar.

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Algumas fraquezas reveladas no terceiro ato, quando o filme abre mão da narrativa mais refinada usada até então e revisita sequências usadas à exaustão em inúmeros títulos de terror infinitamente mais “rasos”, o excesso de jumpscares, os famosos sustos previsíveis presentes em nove de cada dez longas do gênero, que nesse caso desvalorizam um filme que tem muito mais a oferecer em termos de conteúdo emocional e dramático, assim como momentos nos quais o enredo deixa a desejar em termos de coerência ou veracidade, não impedem Um Lugar Silencioso de se destacar pela inteligência e sensibilidade com as quais trata seus personagens, juntando-se a títulos como A Bruxa (“The Witch”) e Corra! (“Get Out”), nos quais o terror e os monstros são coadjuvantes, e o tema principal é a complexidade dos relacionamentos humanos.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.
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