Crítica: Deadpool 2

Sequel do anti-herói mais debochado dos quadrinhos chega mais ousada e inconsequente do que nunca.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Deadpool 2 (Divulgação/Fox Film)
Deadpool 2 (Divulgação/Fox Film)

Que Deadpool aparentemente não tem limites, isso aprendemos em 2016, com o improvável sucesso de bilheteria que deu vida ao personagem mais debochado do Universo Marvel. Improvável porque, até então, era difícil imaginar que um estúdio acostumado a produzir blockbusters voltados para todo o tipo de público aceitaria o desafio de lançar uma comédia Rated R (no Brasil o longa recebeu classificação indicativa de 16 anos), que quebra constantemente a quarta parede e não tem medo de fazer as piadas mais absurdas às custas de ícones da cultura pop, incluindo, e especialmente, a própria Marvel.  Em Deadpool 2Ryan Reynolds, que divide os créditos do roteiro com Rhett Reese e Paul Wernick, retorna no papel principal entregando novamente a ótima interpretação que seduziu a todos no primeiro filme. Com uma escala maior, novos personagens, cenas de ação mais complexas e piadas ainda mais explícitas, o filme tem a difícil tarefa que todas as sequels de produções de sucesso enfrentam: superar, ou, no mínimo, manter o bom nível dos seus predecessores.

As cenas de violência, desmembramentos e mortes estão de volta, assim como novos níveis de xingamentos e palavrões, no melhor estilo Deadpool. Nessa nova aventura, porém, encontramos um Wade deprimido e suicida (um flashback nos mostra rapidamente o motivo), embora nem mesmo no seu pior estado de espírito o ex-mercenário deixa de ser engraçado. Forçado em uma situação complicada, o anti-herói – que sempre fez questão de afirmar que não trabalha em grupo – se vê obrigado a fazer justamente isso, o que rende, além de algumas situações hilárias, uma mudança no seu comportamento em geral cínico e egoísta. O diretor David Leitch entrega boas cenas de ação, sendo a sua especialidade as que envolvem luta corporal, como é possível comprovar também em “John Wick” e “Atômica”, seus trabalhos prévios.

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Além da namorada Vanessa (Morena Baccarin), Negasonic Teenage Warhead (Brianna Hildebrand) e Colossus (Stefan Kapicic) que retornam nessa continuação, somos apresentados à novos personagens: Josh Brolin, recém-saído de sua atuação como Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita” está excelente na pele do soldado Cable, que viaja do futuro em busca de vingança, Russell (Julian Dennison) é o mutante adolescente em crise Firefist, que tem um importante papel na trama, enquanto Domino (Zazie Beetz) é outra adição interessante ao elenco. No filme acompanhamos o surgimento da X-Force, um grupo de mutantes desajustados que, liderados por Deadpool, lutam com boas intenções porém nem sempre com bons resultados.

Apesar de ser recheado de referências, cameos bacanas e algumas surpresas bem engraçadas, nem todas as piadas em Deadpool 2 funcionam. Junte-se a isso algumas dificuldades com efeitos especiais e o roteiro, que não é fluido o suficiente para fazer as 2 horas de filme passarem despercebidas, sofre ao tomar algumas decisões que comprometem a integridade do personagem título, explorando certos aspectos emocionais que parecem forçados, e que no fim, servem muito mais como desculpa para estabelecer o futuro da franquia (“X-Force”, o filme, assim como “Deadpool 3”, já foram anunciados). Mesmo com essas ressalvas, o filme é inegavelmente divertido, e quem curtiu o primeiro Deadpool – que em termos de piadas e roteiro é mais “bem acabado” e polido – certamente não sairá do cinema arrependido.

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