Crítica: As Boas Maneiras

Longa resgata o melhor do terror nacional com boas doses de drama, numa mistura que há muito não se via no cinema brasileiro.

AS Boas Maneiras (Divulgação/Imovision)
AS Boas Maneiras (Divulgação/Imovision)

As Boas Maneiras traz de volta aos cinemas nacionais a materialização do folclore brasileiro sob uma extensa camada de discussão social, discutindo temas relevantes em meio ao realismo fantástico presente nesta história de horror.

O filme surpreende com uma cativante história sobre a relação entre uma funcionária do lar que ultrapassa os limites éticos da profissão e de uma socialite que se afasta de todos ao seu redor por ter deixado de lado “as boas maneiras” ao se tornar uma grávida de pai desconhecido. Esta relação se intensifica na entrega das personagens, que diante dos problemas acabam apoiando uma a outra, e no surgimento de algo sobrenatural a partir da gestação de Ana (Marjorie Estiano).

Uma reviravolta na trama, capaz de impactar o espectador num momento digno de final de filme, surge apenas para indicar que uma nova parte da história está para começar e discutir outros temas relevantes, tocando nas feridas do preconceito e das diferenças e como o amor se sobressai na hora de superar esses conflitos.

Ainda que tenha ares de “filme B” nas cenas de terror que apelam para a computação gráfica de baixo orçamento, As Boas Maneiras resgata o melhor do terror nacional com boas doses de drama, numa mistura que há muito não se via no cinema brasileiro.

Por: Paulo Cavalcante, filme assistido durante o X Janela Internacional de Cinema do Recife.

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