Hereditário Divulgação/Diamond Films)
Hereditário (Divulgação/Diamond Films)

O longa de estreia do diretor Ari Aster, que também assina o roteiro, leva a expressão “os fins justificam os meios” às últimas consequências. A24, que nos últimos anos tem se solidificado como um dos estúdios mais interessantes e inovadores da atualidade acerta novamente, dessa vez com um terror psicológico que é muitas coisas: um estudo sobre o luto, a culpa, relações familiares e o sobrenatural, tudo isso embalado por uma bela fotografia e trilha excepcional.

O filme começa com a nota de falecimento da matriarca da família, Ellen Graham, seguida do seu velório, onde a filha Annie (Toni Collette) comenta que a mãe “sempre foi uma pessoa extremamente privada”, sobre a qual não se sabia muita coisa. Ao voltarem para casa, em um distrito isolado de Utah, os Graham parecem voltar rapidamente aos afazeres normais, até que visões e acontecimentos fora do comum começam a perturbar sua rotina, forçando-os a desenterrar traumas e segredos do passado, ao mesmo tempo que tentam escapar de uma herança que parece inevitável. O resumo superficial é proposital, uma vez que trata-se de algo que deve ser experimentado com o mínimo de informações possível, a fim de garantir máximo impacto.

Hereditário tem sido comparado à A Bruxa (The Witch) de 2015 – ambos distribuídos pela A24 – no que se refere ao drama familiar e outras especificidades, além de fazerem parte de um novo subgênero do terror, habitado por títulos indie, “artsy”, que prezam por roteiros mais densos, cerebrais, e que geralmente não agradam o público fã de jumpscares. O longa sem dúvida se encaixa nessa categoria, tendo como seu forte a desconstrução psicológica dos personagens, em especial Collette e seu filho mais velho Peter (Alex Wolff), que entregam duas das melhores performances de 2018 até o momento, seguidos de Milly Shapiro como a irmã mais nova Charlie, que sem muitas falas consegue prender o espectador com expressões faciais e corporais extremamente eficientes e perturbadoras, e Gabriel Byrne (Steve) no papel de um pai e marido basicamente descartável, sendo quase que totalmente ofuscado pelo restante do elenco.

Com 2:07hrs de duração, uma ressalva merece ser feita com relação ao segundo ato, que se arrasta em comparação aos demais, atrapalhando o ritmo do longa de forma geral. Aster também escolhe não explicar cada um dos elementos da história, deixando vários pontos abertos à interpretação, o que pode ser frustrante para alguns e excitante para outros. No geral, o filme faz uso de elementos clássicos do gênero, não exatamente reimaginados, mas imbuídos de uma certa originalidade na maneira como são explorados, mesclando doses certas de realismo e fantasia, possuindo assim mais peso e significado do que estamos acostumados a ver nesse tipo de produção. Com algumas imagens difíceis de esquecer, merece ser considerado com folga o melhor filme de terror do ano, so far.

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