Crítica: Jurassic World – Reino Ameaçado

Quinto filme da franquia se esforça para dar continuidade ao legado de Spielberg.

Jurassic World: Reino Ameaçado (Divulgação/Universal Pictures)
Jurassic World: Reino Ameaçado (Divulgação/Universal Pictures)

A sessão para imprensa de Jurassic World: Reino Ameaçado contou com uma mensagem de boas vindas da lenda Steven Spielberg, contando um pouco sobre sua infância e a obsessão com dinossauros que o levaria, décadas mais tarde, a desenvolver a celebrada franquia Jurassic Park, inspirada no livro homônimo de Michael Crichton de 1990. Spielberg fez questão de mencionar como os filmes utilizaram efeitos digitais inéditos para a época, aliados a “marionetes” mecânicas que garantiram uma boa dose de realismo, especialmente nos close-ups. Em pleno 2018, porém, a nova aventura recebeu tratamento 100% CGI/VFX, com ótima renderização.

4 anos depois do fechamento do parque Jurassic World, gerenciando uma ONG e praticando ativismo animal, encontramos uma Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) bastante mudada. Seu objetivo agora é salvar os dinossauros que estão mais uma vez em risco de extinção, graças a um vulcão que promete entrar em erupção a qualquer momento, destruindo a Ilha Nublar por completo. Jeff Goldblum retorna no papel do Dr. Ian Malcolm, em uma breve aparição, mais uma vez alertando os outros personagens e também o público dos óbvios perigos da coexistência entre humanos e dinossauros. Malcolm é da opinião que a natureza deve seguir seu curso, e aconselha o governo a não interferir.

Porém quando tudo parece perdido, eis que o milionário Lockwood (James Cromwell), parceiro do falecido John Hammond (Richard Attenborough), se prontifica a ajudar Claire e custear a retirada dos dinossauros da ilha e seu realocamento para uma área de preservação privada. Para tanto, a equipe precisa reativar os localizadores implantados nos animais, assim como de ajuda para capturar a inteligente Blue. Entra em cena o herói Nick Van Owen (Chris Pratt), que a contragosto embarca na aventura, assim como a paleo-veterinária Zia Rodriguez (Daniella Pineda) e o gênio da computação Franklin (Justice Smith). Rapidamente, entretanto, o grupo descobre que planos muito mais sinistros estão por trás da expedição.

O filme se utiliza do desastre natural para questionar se as criaturas devem ser consideradas como qualquer outra espécie ameaçada – e portanto com direito a serem salvas – ou deixadas à própria sorte, assim como mais à frente retoma a eterna discussão em torno da manipulação genética, cruzamento entre espécies e ética. As sequências de ação são divertidas em sua maior parte, assim como outras são genuinamente emocionantes, porém mesmo os novos personagens vêm tão carregados de estereótipos que parecem mais do mesmo. Falta à Jurassic World: Reino Ameaçado, sob a direção de J.A. Bayona, o mesmo que faltou ao seu antecessor: coração. Algo que a trilogia original tinha de sobra. Junte-se a isso a química levemente forçada entre Pratt e Howard e um plot twist extremamente mal utilizado e sem pay off (quem sabe na próxima continuação).

Um dos pontos nos quais Dr. Malcolm toca durante seu discurso ao comitê é o de que a humanidade celebra seu desenvolvimento tecnológico sem primeiro aprender o que fazer com ele, o que, de certa forma, é um reflexo do momento no qual a própria franquia se encontra. Efeitos especiais de última geração e novas espécies de dinossauros projetadas para serem cada vez mais complexas, assustadoras e mortais (no melhor – ou pior – estilo Frankenstein) servem para amenizar um roteiro sem muita força e o fato de que o longa não traz nada de realmente diferente ou interessante o suficiente para se justificar. Com um final que prepara o terreno para a continuação já anunciada, fica a dúvida sobre qual caminho os próximos filmes irão tomar, embora seja certo que qualquer um será melhor que uma contínua evolução que se esgota em si mesma.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui